Os candidatos à Presidência Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) classificaram neste domingo (27) como eleitoreira a medida provisória que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou para proibir as bets no Brasil, a nove dias do primeiro turno.

"Então, a decisão dele foi oportunista, ao ver que realmente isso vem, sem dúvida alguma, destruindo a sociedade brasileira", disse Caiado a jornalistas em Goiânia, após participar de uma missa.

O candidato do PSD afirmou que, se eleito, não proibiria as bets, mas adotaria restrições mais severas, com projeto educativo e regras mais rígidas para a publicidade do setor. Questionado sobre o 2º turno, disse que segue a campanha "até a última hora".

Renan Santos chamou o envio da MP de manobra de apelo eleitoral sem sustentação real. Para ele, o texto corre risco de caducar no Congresso: "É só uma medida eleitoreira do Lula", afirmou em pronunciamento gravado durante sua caravana pelo Brasil.

"As bets são uma cocaína digital, que viciou todo mundo, destruiu famílias e endividou o brasileiro", disse Romeu Zema, chamando a MP de uso de populismo na véspera da eleição.

Do outro lado, Lula defendeu a proibição em reunião no Palácio do Planalto. "Eu pessoalmente acabaria com as casas de apostas. Acho que são um mal para a sociedade", disse o presidente, que ainda citou a necessidade de "compartilhar decisões" como chefe do Executivo.

Uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada em 23 de setembro mostra que 75% da população defende a proibição das apostas no Brasil. O governo usa o número para sustentar que a medida tem respaldo popular, mesmo a dias da votação.

A MP 1.394/2026 proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa e de jogos online, incluindo o cassino virtual e o chamado Jogo do Tigrinho, em todo o território nacional.

A Lei 14.790, sancionada pelo próprio Lula em 2023, havia regulamentado o setor autorizado desde 2018 pela Lei 13.756, do governo Temer.

É o mesmo governo que legalizou e regulamentou as bets que agora assina a proibição total, menos de dois anos depois.

O que acontece agora

Apostadores têm até 5 de outubro para retirar o saldo das plataformas, hoje estimado em R$ 1,7 bilhão pela Fazenda. As empresas de apostas devem sair do ar a partir de 6 de outubro, um dia antes do primeiro turno.

O texto ainda precisa ser votado pelo Congresso para não perder validade, e o setor de apostas já avalia contestar a proibição na Justiça. A proibição tira R$ 5,3 bilhões do Orçamento e deve ir à Justiça.

Clubes de futebol temem perder até R$ 1 bilhão em patrocínio.

A medida chega dias depois de Lula prometer o fim das bets em meio a um racha com clubes de futebol. Antes disso, o próprio governo havia hesitado por semanas em editar a MP.