O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, acusou neste domingo (27) o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de manter postura de intolerância religiosa. A fala ocorreu após um ato com mulheres na Praça da Sé, em São Paulo.

"Eu acho que essa intolerância tem que acabar no Brasil. É impossível. Toda religião digna do nome é tolerante", disse Haddad a jornalistas.

A fala se apoia num boato que circula desde 24 de setembro, o de que Flávio articularia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A campanha de Flávio nega e diz que a informação partiu do perfil "Dilma Bolada".

O boato que motivou a fala

O caso já rendeu decisões judiciais opostas. Mendonça, que também é vice-presidente do TSE, mandou apagar posts que associavam Flávio ao boato, sob multa de R$ 30 mil, atingindo um post que já tinha mais de 195 mil visualizações.

Neste domingo, o ministro do STF Flávio Dino derrubou essa decisão e liberou o conteúdo. Para Dino, proibir o debate prejudicaria a liberdade de expressão e a liberdade religiosa.

A ordem de Mendonça havia atingido até publicações do próprio Santuário Nacional de Aparecida, o alvo que dizia proteger. Os autos, segundo a decisão original, não mostravam nenhuma iniciativa de Flávio contra o título da padroeira.

A campanha de Flávio nega qualquer proposta contra a padroeira e trata a associação como fake news. O senador já pediu a prisão de um funcionário do Planalto por causa do boato.

Já aliados de Lula chamaram de censura a decisão de Mendonça que mandou apagar os posts. O impasse virou um dos episódios mais tensos da campanha, a poucos dias da votação.

O ato na Praça da Sé aconteceu após uma missa de sétimo dia em homenagem à ativista Amelinha Teles. Participaram também as candidatas ao Senado por São Paulo Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).

Na mesma entrevista, Haddad defendeu as medidas do governo Lula (PT) contra as casas de aposta online e disse que pessoas ligadas a Flávio têm relação com o mercado de bets.

O que acontece agora

Os eleitores voltam às urnas no próximo domingo (4/10), para o primeiro turno da eleição presidencial e estadual.