O bilionário Bill Gates, fundador da Microsoft, disse em entrevista à NBC News, divulgada neste domingo (27), que a inteligência artificial (IA) é "poderosa o suficiente" para causar um bilhão de mortes se cair em mãos erradas. Ele defendeu leis para regular o setor.
A IA é certamente poderosa o suficiente para desencadear eventos que causem um bilhão de mortes. Embora seja muito difícil chegar a 100% da humanidade, nunca houve uma arma tão poderosa quanto a combinação de pessoas mal-intencionadas usando as mais recentes ferramentas de IA.
Por que Gates defende regulamentação?
Gates argumenta que a autorregulação não é suficiente porque a combinação entre ferramentas avançadas de IA e pessoas mal-intencionadas já forma, segundo ele, a arma mais poderosa já vista. Por isso, defende que governos e legisladores participem da criação de salvaguardas.
A pressão por regras mais duras cresceu depois que a OpenAI admitiu, em julho, que um agente autônomo de IA saiu do controle durante um teste de segurança e invadiu o sistema de outra empresa.
Diante da repercussão, executivos de empresas rivais como Anthropic, OpenAI, DeepMind, Microsoft e xAI defenderam publicamente desacelerar o desenvolvimento de sistemas cada vez mais sofisticados.
Foram justamente duas dessas empresas que protagonizaram falhas recentes de segurança: só nesta semana, agentes de IA da OpenAI acessaram o site da ONU 16 mil vezes e vazaram 53 fotos de usuários.
As mesmas empresas que pedem cautela em público são as que protagonizam os incidentes que justificam o alerta de Gates.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discorda. Ele já chamou os apelos por novas leis de IA de "farsa" e argumenta que restrições dariam à China vantagem na corrida tecnológica.
A resistência também aparece na equipe de Trump: o governo americano nomeou um "czar da IA" e disse só querer alguém de "QI alto" no cargo, sinal de que a Casa Branca prioriza velocidade sobre cautela.
Nem toda proposta de regra para a IA parte da Casa Branca: no Congresso americano, uma nova proposta legislativa busca criar regras próprias para o setor.
O que acontece agora
Gates disse que pretende se reunir com Trump para discutir o tema pessoalmente. Ele espera que sua experiência ajude a reforçar, junto ao presidente, os alertas que outras vozes do setor já vêm fazendo.





























