A Rússia atingiu neste domingo (27) a sede da Kyivstar, maior operadora de telefonia móvel da Ucrânia, e um data center da Vodafone Ukraine, a segunda maior. Zelensky disse que um data center em Kiev foi atingido duas vezes, ferindo duas crianças e um adulto.
Os ataques a data centers não são um caso isolado. Na semana anterior, a Rússia já havia atingido centros de dados de provedores de internet, deixando cerca de 100 mil residências de Kiev e região sem conexão ou com internet degradada.
A Rússia tem como alvo os principais data centers ucranianos, buscando interromper o fluxo de informações. Alertas rápidos sobre ameaças de mísseis e drones são essenciais — eles salvam vidas.
Por que a Rússia mudou de alvo agora?
Segundo o instituto de pesquisa ISW, o Kremlin amplia o conjunto de alvos em busca de "mecanismos alternativos de derrota", porque as ofensivas russas em 2026 não avançaram no campo de batalha, enquanto a Ucrânia registrou ganhos que o próprio instituto chama de estrategicamente significativos.
Entre 23 e 25 de setembro, ataques russos danificaram pelo menos quatro data centers em Kiev: os operados pela UTELS e pela Pavutyna, e depois os da Cosmonova e da Datagroup.
Um representante do ponto de troca de tráfego de internet 1-IX resumiu a mudança de padrão: os ataques a data centers passaram a ser sistemáticos desde setembro, e não mais esporádicos.
O Ministério da Defesa russo afirma que o alvo são sistemas de comunicação militares. O governo ucraniano diz não ter encontrado dano a redes militares ou institucionais. A diferença separa dois tipos de guerra: uma contra alvos militares, outra contra a vida civil.
Especialistas ouvidos pela imprensa ucraniana avaliam que um apagão nacional completo de internet é improvável, graças a sistemas de backup e à distribuição da infraestrutura entre fronteiras.
O ataque a data centers é parte de um padrão mais amplo: dias antes, a Rússia já havia mirado a maior siderúrgica da Ucrânia, forçando a parada da produção.
O contexto de fundo é um front que praticamente não se move: Zelensky recorreu recentemente a uma métrica pouco usual para mostrar o custo do imobilismo russo, contando baixas do Exército russo por quilômetro quadrado conquistado.
A resposta ucraniana também mira infraestrutura: em setembro, drones atingiram uma refinaria em Moscou no dia da eleição russa. O episódio mostra que ataques a infraestrutura estratégica correm nos dois sentidos da guerra.
O ponto em aberto
Se a mudança de alvo é resposta a um impasse militar, a pergunta é até quando a Rússia sustenta essa estratégia sem conseguir travar de fato o funcionamento da internet ucraniana, dada a infraestrutura de backup já existente no país.
O que acontece agora
Zelensky anunciou a decisão de reforçar a proteção física de data centers e instalações de comunicação no país. Não há, porém, prazo definido para a conclusão dessas medidas.





























