O jurista Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso e um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), assinou uma carta aberta em defesa da democracia e da Constituição, divulgada nesta semana.

O documento, divulgado após o 1º turno das eleições de 2026, reúne 26 signatários e alerta para o fortalecimento da extrema direita no Congresso. Entre eles estão a historiadora Lilia Schwarcz, os escritores Milton Hatoum e Eduardo Giannetti, e a jurista Flávia Piovesan.

O que a carta diz

A carta aponta baixa renovação política e sub-representação de mulheres, negros, pessoas LGBTQIA+ e povos indígenas nas eleições de 2026. A nova bancada do PL, alvo da crítica, é a maior do Congresso desde 1986.

O PL também elegeu o deputado mais votado em 11 dos 27 estados nas eleições de 2026.

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"O Partido Liberal detém agora 121 cadeiras na Câmara e outras 28 no Senado, maioria inédita nas últimas décadas. A ele caberá, por esta razão, a gestão de gordíssimas fatias dos fundos eleitoral e partidário", afirmam os signatários.

A Câmara eleita também terá a menor renovação desde 1998, com 183 deputados novatos. O texto da carta ainda critica, sem citar nomes, a conduta de duas parlamentares eleitas pelo PL.

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Segundo identificou a CNN Brasil, são a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), que chicoteou o asfalto em Florianópolis ao comemorar a reeleição, e a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL-SP), que questionou a existência do feminicídio e associou povos indígenas a canibalismo.

"As eleições realizadas em 4 de outubro não tiveram a finalidade de Assembleia Constituinte", diz a carta, que considera inadmissível uma tentativa de alteração generalizada da Constituição antes do 2º turno.

O que acontece agora

A carta termina convocando o eleitor a priorizar "a imprescindível preservação do regime democrático" no 2º turno, marcado para 25 de outubro. Os signatários defendem a manutenção dos freios e contrapesos constitucionais até lá.