O governo federal vai chamar clubes de futebol e confederações para medir o impacto da proibição das bets sobre o esporte, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan. A Medida Provisória foi assinada pelo presidente Lula nesta sexta-feira (25) e proíbe também os cassinos on-line.

As bets pagaram R$ 1,14 bilhão em patrocínios aos 20 maiores clubes em 2025. Em média, essas receitas respondem por 7,9% do orçamento dos times da Série A. Em agosto, 13 dos 20 clubes tinham empresas de apostas como patrocinadoras máster.

O maior contrato é o do Flamengo com a Betano, de R$ 268,5 milhões por temporada até 2028; Corinthians e Palmeiras têm acordos de R$ 150 milhões e R$ 100 milhões com Esportes da Sorte e Sportingbet.

Dez clubes já haviam alertado, em manifesto, contra o fim do mercado regulado.

O torcedor não pode pagar essa conta. Se acabar com o mercado regulado, as apostas não acabam. O futebol é quem acaba.

Diz o manifesto assinado por Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Cruzeiro e Atlético-MG.

As casas de apostas dizem que a mudança desconsidera investimentos feitos sob regulamentação oficial. O setor alerta que apostadores podem migrar para plataformas clandestinas, fora de qualquer controle do governo.

"A participação das bets nos orçamentos varia, em média, na casa de um dígito", disse Durigan. Segundo ele, o governo só vai decidir se ajuda os clubes depois de medir o impacto real da medida assinada por Lula.

O governo diz que vai avaliar antes de agir, mas não garante nenhum tipo de compensação aos clubes.

Uma semana antes, o texto em discussão mirava banir só os cassinos on-line, sem afetar a aposta esportiva nem o patrocínio a clubes, segundo o manifesto dos clubes de 18 de setembro.

A versão final foi além e proibiu também a aposta esportiva.

O que falta definir sobre o socorro aos clubes

Durigan disse que qualquer socorro aos clubes depende do diagnóstico das reuniões que o governo ainda vai marcar, sem data definida. Os R$ 2,55 bilhões arrecadados pelo governo em outorgas de bets nos últimos anos dão a medida do mercado que deixa de operar formalmente.

Fica em aberto se algum tipo de compensação vai chegar aos clubes, ou se o setor terá de absorver sozinho o rombo nos orçamentos já fechados para a temporada.