O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, determinou que os institutos de pesquisa informem à Corte se apresentaram áudios, vídeos ou imagens aos entrevistados. A mudança busca dar mais transparência à metodologia usada antes da divulgação de cada pesquisa eleitoral.

A exigência vem depois de o TSE suspender, em junho, uma pesquisa da AtlasIntel por suposta indução ao eleitor. A liminar foi concedida por Nunes Marques a pedido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

A campanha de Flávio argumenta que o instituto mostrou aos entrevistados um áudio dele pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro sem registrar a mídia no sistema do TSE.

O episódio ocorre em meio a um debate mais amplo do TSE sobre inteligência artificial na campanha de 2026.

A segunda mudança determinada por Nunes Marques exige que os institutos informem a ordem das perguntas feitas aos entrevistados. Especialistas avaliam que questões sensíveis, como avaliação de governo e intenção de voto, devem vir antes de perguntas que associam candidatos a fatos e atores políticos.

Segundo o TSE, a mudança não cria obrigações novas.

Até cinco dias antes de divulgar uma pesquisa, os institutos já precisam informar ao TSE quem contratou o levantamento, o valor e a origem dos recursos, a metodologia, o período das entrevistas, o plano amostral e o questionário completo.

Agora, também terão de detalhar a população representada, o nível de confiança e a margem de erro máxima esperada.

As mudanças foram implementadas depois de reuniões entre Nunes Marques e representantes dos institutos de pesquisa, realizadas em julho. O TSE também já vinha discutindo regras para pesquisas em julgamento na Corte.

O caso da AtlasIntel pode se tornar o parâmetro que vai valer para todos os institutos nas eleições de 2026.

O TSE não concluiu o julgamento sobre a pesquisa suspensa da AtlasIntel. A análise foi paralisada em junho por pedido de vista da ministra Estela Aranha. Ela prorrogou o pedido em 21 de agosto por mais 30 dias.

Enquanto o caso não é julgado, a AtlasIntel segue divulgando outras pesquisas eleitorais normalmente, como o levantamento sobre o governo de Minas Gerais publicado em setembro.

O que acontece agora

O julgamento sobre a suspensão da pesquisa da AtlasIntel vai definir os parâmetros de uso de áudio e vídeo em pesquisas eleitorais para o resto do país. Não há data prevista para a retomada da análise no plenário do TSE.