Os Fiagros, fundos que financiam a cadeia do agronegócio, captaram R$ 1,4 bilhão em agosto, 26 vezes mais que no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano até agosto, as ofertas somam R$ 9,9 bilhões, alta de 339% ante 2025, segundo dados da Anbima.

O crescimento aparece num momento em que o crédito público cobre cerca de um terço da necessidade anual de financiamento do agronegócio, estimada em R$ 1,2 trilhão. O restante depende cada vez mais do mercado de capitais.

Financiamento do agronegócio fora do crédito público (jan-ago/2026)

  • R$ 9,9 biFiagros captados, alta de 339% sobre 2025
  • R$ 11,1 biCPR-F emitidas no período
  • R$ 10,1 biCRA emitidos no período
  • R$ 1,2 trinecessidade anual de financiamento do agro

Fonte: Anbima, CNA e FGV Agro · verificado em 26/09/2026

Os números mostram que produtores e empresas do agro dependem cada vez menos do crédito oficial. Na prática, quem financia a safra hoje é cada vez mais o investidor do mercado financeiro, não só o banco público.

"A expansão das alternativas de financiamento permite endereçar diferentes necessidades ao longo da cadeia do agronegócio, com instrumentos estruturados conforme os prazos e os volumes demandados por empresas e produtores", afirma Tatiana Itikawa, da Anbima.

Em setembro, um levantamento já mostrava o mercado de capitais bancando um terço do crédito do agro.

Nem todo crédito ao agro vem do mercado de capitais. Bancos públicos como a Caixa também financiam o setor, e viram a inadimplência do agro subir a 20,74% num trimestre.

O governo também tenta segurar sua parte do financiamento. Em julho, destinou R$ 525 bilhões ao setor e mudou regras do crédito rural.

O agronegócio deve responder por 22,8% do PIB brasileiro em 2026, segundo a FGV Agro. Quanto mais capital privado entra nessa conta, menos a cadeia produtiva depende só do orçamento público.