O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (26) que conversou com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, sobre eleições no país. Na quarta-feira (23), na Assembleia Geral da ONU, ela havia confirmado que a Venezuela terá um novo processo eleitoral.

Delcy Rodríguez ocupa o cargo desde janeiro, depois que os Estados Unidos atacaram a Venezuela e capturaram o então presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Ela tomou posse como presidente interina dois dias depois, a primeira mulher a exercer o poder presidencial no país.

O Supremo Tribunal da Venezuela deu a ela mandato renovável de 90 dias. Segundo ela, o governo de Caracas já iniciou diálogo com a oposição rumo à “plena democracia”. Maduro, porém, ainda se considera o titular legítimo do cargo.

Ela não deu uma data para a votação. Segundo Delcy Rodríguez, será o povo venezuelano quem vai “determinar o momento certo para essas eleições”.

Qual é a posição do Brasil?

O Brasil reconhece Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela, com base em dispositivos da própria Constituição venezuelana sobre substituição do presidente. O Itamaraty prioriza a estabilidade do país vizinho e descarta pressionar o governo chavista por eleições antecipadas.

O governo Lula já havia se posicionado sobre o país em agosto, ao tentar evitar o acordo do petróleo que a Venezuela fechou com os Estados Unidos.

Trump também falou sobre Cuba neste sábado (26). Ele disse à imprensa, na Casa Branca, que quer abrir a ilha aos americanos e fazer um acordo com o governo cubano, sem necessidade de usar as Forças Armadas.

Na Assembleia Geral, Trump havia chamado Cuba de “um Estado falido” e disse que “a liberdade vai chegar” à ilha.

A delegação cubana deixou o plenário durante a fala.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, chamou as declarações de Trump na ONU de “arrogantes” e “intervencionistas”.

Na oposição venezuelana, a líder María Corina Machado segue sem poder voltar ao país, o que ilustra as dificuldades do processo político anunciado por Delcy.

O diálogo também dá sequência a uma aproximação que já rendeu o primeiro encontro de Trump com um presidente venezuelano em 27 anos, no fim de semana passado.

Delcy Rodríguez também esteve nos Estados Unidos em setembro, quando levou à mesa temas como energia e a dívida externa venezuelana.

O que acontece agora

Delcy Rodríguez não fixou data para a eleição venezuelana, e o diálogo com a oposição segue sem cronograma público. Do lado americano, o secretário de Estado Marco Rubio segue as negociações com o governo cubano sobre a abertura de Cuba aos turistas americanos.