O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara um programa para comprar dívidas antigas de famílias por meio de leilões do Tesouro Nacional, com desconto de até 95% sobre o valor original. O lançamento está previsto para esta sexta-feira (25), em São Paulo.
No leilão, credores que já consideram a dívida perdida vão disputar oferecendo descontos ao governo. Quanto maior o deságio, menor o gasto público para quitar aquele volume de dívida.
O foco são débitos de menor valor, vencidos há vários anos, muitos já retirados do balanço dos bancos e vendidos a empresas de cobrança.
O desconto pode chegar a 95% da dívida, diz o ministro da Fazenda.
A estimativa interna do governo é de custo inferior a R$ 10 bilhões. A ideia inicial é que a família beneficiada não precise devolver o valor ao governo, mas esse ponto ainda é considerado sensível e pode mudar até o anúncio oficial.
O lançamento chega a nove dias da eleição, em meio à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, e depois de pesquisas apontarem o endividamento como uma das causas da desaprovação ao governo.
O programa entraria na esteira de iniciativas anteriores contra a inadimplência, como o Desenrola Brasil, prorrogado até 31 de agosto, o Novo Desenrola e o Desenrola Adimplentes.
Reportagens sobre o desenho do programa apontam um risco fiscal. O Estado passaria a assumir perdas que hoje pertencem aos bancos e a outras credoras, que já haviam desistido de cobrar essas dívidas.
O comprometimento da renda das famílias com dívidas seguia em 49,8% em julho, nível recorde, segundo o Banco Central citado pela Gazeta do Povo.
O crédito para as famílias já convive com inadimplência recorde de 4,7% em junho, segundo o Banco Central, pano de fundo que motiva o novo programa.
Mais cedo nesta sexta, a TV Sim Brasil mostrou que Lula assinou a MP que endurece as regras contra as bets, no mesmo giro de agenda em São Paulo.
O que acontece agora
O programa deve ser detalhado ainda nesta sexta-feira (25), no mesmo evento em que o governo trata de medidas contra as apostas online. Pontos como a forma de repasse às famílias e o papel dos bancos credores ainda não foram fechados.





























