O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cancelou a reunião marcada para esta quarta-feira (9) com a cúpula da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre a crise na Corte. Nenhuma nova data foi definida até esta terça (8).

Segundo comunicado da Presidência do STF, o adiamento ocorreu porque a Presidência da Corte tem agenda intensa nesta semana. A justificativa foi recebida com ressalvas por seccionais que já haviam cobrado publicamente pressa na apuração — a OAB do Paraná, por exemplo, reiterou o pedido de providências imediatas após o cancelamento.

O encontro trataria da crise aberta depois que o ministro André Mendonça apresentou aos colegas de Corte um relatório da Polícia Federal de 218 páginas. Conforme o teor do relatório descrito por Mendonça, o documento reúne mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e a Daniel Vorcaro, fundador do banco Master. O material integra apuração em curso: não há, até aqui, acusação formal, denúncia recebida ou decisão condenatória contra qualquer dos citados.

Até a publicação desta reportagem, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro não haviam se pronunciado publicamente sobre o conteúdo das mensagens. O espaço permanece aberto para manifestação, que será publicada na íntegra.

Mesmo sem Fachin, o presidente da OAB Nacional, Beto Simonetti, manteve a reunião extraordinária do Colégio de Presidentes das seccionais para esta quarta-feira. O encontro deve discutir a crise sem a presença do presidente do STF.

O que a OAB já pediu

Ao menos 17 das 27 seccionais estaduais da OAB já se manifestaram publicamente sobre o caso, em notas próprias, cobrando apuração rigorosa dos fatos.

A seccional do Paraná foi além. Em nota, pediu o afastamento cautelar de Moraes e a suspeição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, também citado no material apresentado por Mendonça. A OAB de Rondônia divulgou pedido semelhante.

A revelação que detonou a crise veio a público em 1º de setembro, quando Mendonça mostrou o relatório da PF aos colegas de Corte. Foi nesse dia que a OAB Nacional cobrou, pela primeira vez, apuração rigorosa e isenta.

O Conselho Federal da OAB disse acompanhar a crise "com extrema preocupação". Em nota, defendeu "apuração rigorosa e isenta de todos os fatos", em período eleitoral.

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A cobrança da OAB não é isolada. Treze ex-ministros do próprio STF também pediram apuração rigorosa do episódio nos últimos dias, em carta separada.

O que acontece agora

O calendário da crise já havia sido alterado uma vez. Na semana passada, a Corte adiou o julgamento do caso para depois do dia de votação.

Agora é a reunião com a própria classe dos advogados que fica sem data. A OAB segue sem resposta sobre quando poderá levar a Fachin, pessoalmente, o pedido das 17 seccionais por apuração rigorosa.