Pessoas com 45 anos ou mais já respondem por 34% dos novos empreendimentos abertos no Brasil, segundo levantamento do Sebrae apresentado pelo gerente Ricardo Pereira no programa Cidade É, da TV Sim Brasil. O percentual era de cerca de 24% no levantamento anterior, feito em 2024.

Por que essa faixa etária empreende mais

Pereira, gerente da Unidade de Portfólio e Comercialização do Sebrae Minas, atribui o crescimento à combinação de mais longevidade com saúde e à necessidade de quem perde o emprego depois dos 45 anos.

"Quando você tem um profissional 45 mais ou 50 mais que ele é demitido do trabalho dele, provavelmente ele ainda necessita de atividade para gerar renda, mas também para a mente dele, porque está muito jovem ainda", disse.

Segundo ele, esse público chega ao empreendedorismo com uma vantagem. "Você encontra pessoas que já têm mais resiliência, que têm uma rede de contato consolidada", afirmou Pereira.

Ele completou que esse perfil já chega com características empreendedoras que o Sebrae costuma trabalhar para desenvolver em outros candidatos.

Ele acrescentou que essa experiência anterior costuma vir acompanhada de planejamento e de uma leitura mais clara do mercado.

A maior parte dos negócios abertos por esse público segue concentrada em comércio e serviços. "A maioria dos empreendimentos novos são sempre do ramo de comércio e de serviço", disse Pereira.

Ele cita ainda consultoria, tecnologia, alimentação, moda e varejo como setores frequentes entre os empreendedores de 50 anos ou mais. Segundo Pereira, essa concentração por segmento não muda de acordo com a idade de quem empreende.

Experiência e autonomia pesam a favor

Para o consultor empresarial e professor da Faminas Flávio Santos, o diferencial desse público está em competências acumuladas ao longo da vida profissional.

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"Essa autonomia que esse público tem, para, inclusive, consolidar tudo aquilo que ele já aprendeu, que ele já vivenciou", disse Santos, citando resiliência e inteligência emocional como características recorrentes.

Ele citou também a capacidade de adaptação e flexibilidade diante das mudanças do mercado como uma marca desse grupo.

Santos afirmou que empreendedores de 40 ou 50 anos já erraram muito ao longo da carreira, o que muda a forma como decidem. "Quando todo erro gera um aprendizado, isso muda completamente nas decisões que o empresário toma quando ele tem a novidade", disse.

Ele completou: "O erro para o jovem pode ser mais barato. Ele já tem o outro ali que já errou e teve um aprendizado nisso. Isso muda muito. Então, reduz um pouquinho o risco também de investimento."

O programa Cidade É reuniu ainda a empresária Cássia Barbosa, que reconstruiu a carreira na área de gastronomia depois dos 50 anos.