O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, se reúnem neste domingo (20) em Nova York para tentar um acordo sobre inteligência artificial, tarifas e minerais críticos antes da cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping.

O encontro ocorre na sede do JPMorgan Chase, em Manhattan, com a presença também do representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. As reuniões começam por volta das 11h30 no horário de Brasília e devem durar o dia todo, segundo a CNN Brasil.

O que está na mesa da negociação?

Três temas concentram a pauta: o status da trégua comercial entre EUA e China, que expira em 10 de novembro; o fluxo de ímãs de terras raras e minerais críticos chineses, considerado insuficiente pelos americanos; e as regras de segurança para inteligência artificial.

Parte das pendências vem do encontro entre Trump e Xi, em maio, quando os países prometeram reduzir tarifas sobre bens não estratégicos. A China também prometeu comprar US$ 17 bilhões a mais por ano em produtos agrícolas e mais de 200 aviões da Boeing.

Bessent, He e Greer já se reuniram várias vezes nos últimos 16 meses em cidades da Europa e da Ásia para preparar acordos entre Trump e Xi, incluindo a trégua fechada em novembro de 2025.

A cúpula entre os dois presidentes está marcada para 24 de setembro, em Washington, com recepção que inclui guarda de honra militar e jantar de Estado.

A analista Anna Ashton, fundadora da consultoria Ashton Intelligence e especialista em comércio com a China, não espera avanço estrutural do encontro.

"Acredito que haverá alguma demonstração de resultados concretos, já que é uma cúpula presidencial, mas não sinto que estejamos à beira de um avanço significativo", disse Ashton. "Acho que a manutenção do status quo é provavelmente a melhor expectativa de ambos os lados."

Por que isso interessa ao Brasil?

O item terras raras pesa também para o Brasil, que tem a segunda maior reserva do mundo do minério, atrás só da China. O interesse americano em reduzir a dependência chinesa já mudou o mapa de investimentos no país.

O governo dos Estados Unidos pagou US$ 750 milhões, dentro de uma estrutura de US$ 1,55 bilhão, pelo fornecimento de carbonatos de terras raras do projeto Pela Ema.

Em abril, a americana USA Rare Earth comprou por US$ 2,8 bilhões a mineradora Serra Verde, até então a única mina do minério em operação no Brasil, cuja produção seguia para a China.

O governo brasileiro sancionou lei que dá poder de veto sobre minério estratégico em meio a essa disputa. O tema já rendeu até um plano de terras raras ligado a Flávio Bolsonaro.

O investimento chinês no Brasil cresceu 113% em 2024, e o país já é o terceiro maior destino global de capital da China. A disputa comercial mais ampla entre EUA e China também pesa sobre o tarifaço americano contra produtos brasileiros.

Diante disso, o governo brasileiro reservou R$ 5 bilhões para projetos de transformação mineral estratégica, mas a demanda do setor privado soma R$ 85 bilhões, bem acima do disponível.

O que acontece agora

A trégua comercial entre Washington e Pequim expira em 10 de novembro. O resultado da reunião deste domingo deve balizar o que Trump e Xi assinam na cúpula de 24 de setembro.

Para o Brasil, a disputa segue como pano de fundo. O mesmo interesse americano por terras raras que move bilhões para cá esbarra na falta de plantas de separação química do minério no país, o que limita a exportação a compostos de menor valor agregado.