O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), afirmou nesta quinta-feira (30) que o alerta meteorológico divulgado na tarde de quarta-feira (29) não antecipou a força da ventania que atingiu a capital fluminense. "O aviso feito ontem, no começo da tarde, era de ventos muito menos intensos do que os que acabaram ocorrendo. Realmente, foi um evento extremo", disse.

Em outra declaração sobre o mesmo episódio, o prefeito reforçou a avaliação: "Houve um alerta, no início da tarde, de ventos moderados a fortes, mas esse alerta não previu a intensidade do que aconteceu". Cavaliere associou o vendaval aos efeitos do super El Niño"que realmente, como as autoridades vinham alertando, podem gerar efeitos e eventos extremos". A prefeitura já havia feito uma coletiva sobre os possíveis impactos do fenômeno em 20 de julho.

Duas mortes e um pescador desaparecido

Duas pessoas morreram no desabamento de um muro em Santa Teresa, na região central do Rio. Um pescador segue desaparecido na Costa Verde: a Agência Brasil registra a ocorrência na praia de Mambucaba, em Angra dos Reis, e a CNN Brasil, em Tarituba, no município de Paraty. Segundo a Agência Brasil, a embarcação virou e o homem foi levado pela água; o Corpo de Bombeiros faz buscas.

O balanço do Corpo de Bombeiros foi crescendo ao longo do atendimento. Ainda na noite de quarta-feira, a corporação contabilizava 185 ocorrências, entre elas 93 quedas de árvores, 31 salvamentos e 5 desabamentos, segundo a Agência Brasil. Em balanço posterior divulgado pelo Poder360, o número subiu para 291 atendimentos — 154 cortes de árvores, 50 combates a incêndios, 31 salvamentos e 5 desabamentos. A prefeitura ativou gabinete de crise e, das cerca de 220 ocorrências de árvores caídas, aproximadamente 180 já haviam sido encerradas.

Rajadas passaram de 105 km/h e apagão atingiu milhões

No município do Rio, os ventos ultrapassaram 105 quilômetros por hora; a rajada máxima registrada foi de 105,5 km/h nas proximidades do Aeroporto do Galeão, entre 16h e 17h, de acordo com a CNN Brasil. Na Costa Verde, Angra dos Reis mediu até 104 km/h e Mangaratiba, mais de 90 km/h.

O apagão atingiu mais de 1,9 milhão de residências no pico, segundo a CNN Brasil, e mais de 500 mil pessoas ainda estavam sem energia no balanço reproduzido pelo Poder360. Houve redução de carga de cerca de 1.500 MW entre 15h57 e 17h35, com bairros afetados na Zona Sul, no Centro, na Tijuca, em Campo Grande, em Santa Cruz e em Guaratiba.

Fora da capital, os ventos também derrubaram árvores e danificaram redes elétricas em Angra dos Reis, Mangaratiba e Itaguaí, onde houve ainda danos em telhados. Angra dos Reis ficou em estágio de alerta até as 23h59 de quarta-feira, e a Defesa Civil orientou a população a evitar áreas com risco de queda de árvores e de fios elétricos. O mesmo sistema de ventos deixou três mortos em São Paulo.