O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (6) uma tarifa de 15% sobre derivados de polissilício, insumo usado na fabricação de chips e painéis solares, que passa a valer em 4 de dezembro. A medida mira Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Suíça, Liechtenstein e países da União Europeia. O Reino Unido terá alíquota menor, de 10%.

Por que o Brasil não deve ser afetado diretamente?

O setor solar brasileiro tem blindagem natural contra a nova tarifa porque a China controla mais de 90% da produção mundial de painéis fotovoltaicos, e é de lá que vem a maior parte dos equipamentos usados no Brasil — não dos Estados Unidos. Segundo o especialista André Pereira, "as tarifas americanas, num primeiro momento, não teriam impacto nessa oferta brasileira". Um efeito colateral é até possível: fabricantes chineses impedidos de vender aos EUA podem redirecionar produção a outros mercados, pressionando preços para baixo.

O que motivou a tarifa?

O governo americano justificou a medida como proteção à "segurança da cadeia de semicondutores e energia solar" dos Estados Unidos, citando que a capacidade de produção de polissilício do país caiu de 50% da produção global em 2005 para menos de 2% em 2024. A tarifa se soma a uma taxa anterior de 10% sobre componentes solares, imposta em fevereiro deste ano, que já havia elevado em até 30% os preços desses itens nos EUA. A energia solar hoje responde por mais de 20% da matriz elétrica brasileira, com R$ 313 bilhões em investimentos acumulados e 2,1 milhões de empregos gerados no setor.