Abelardo de la Espriella toma posse nesta sexta-feira (7) como presidente da Colômbia, em cerimônia às 15h (16h de Brasília) na cidade de Cali — a primeira posse fora de Bogotá em mais de 200 anos. Lula não vai ao evento e enviou o chanceler Mauro Vieira para representar o Brasil.

Espriella, advogado criminalista sem experiência política prévia, venceu o esquerdista Iván Cepeda por margem apertada: 49,66% a 48,70% dos votos, uma diferença de cerca de 250 mil votos. Ele fez campanha com propostas de segurança pública mais dura e uma agenda pró-mercado.

Por que a posse é marcada por tensão política?

O presidente Gustavo Petro, que deixa o cargo, alegou fraude eleitoral sem apresentar provas e não compareceu à cerimônia. Em declaração pública, classificou o episódio como "uma fraude e um problema institucional indubitavelmente profundo, que é a posse de um presidente ilegítimo". Apesar da acusação, Petro assegurou a Lula, em ligação no dia 5 de agosto, seu compromisso com uma transição pacífica. Um tribunal administrativo colombiano rejeitou pedidos para suspender a cerimônia, e a oposição de esquerda (Pacto Histórico) convocou protestos em Bogotá, Barranquilla e Cali.

A posse também rompe com a tradição: pela primeira vez em mais de duzentos anos, o ato não ocorre em Bogotá, mas em um auditório universitário de Cali, a 400 km da capital — escolha que a equipe de Espriella apresenta como forma de dar mais protagonismo às regiões do país.

Qual é o papel do Brasil na cerimônia?

Lula recusou o convite para a posse, citando compromissos ligados à campanha eleitoral de 2026 no Brasil, e será representado pelo chanceler Mauro Vieira, que chegou a Cali nesta sexta. Vieira deve tratar com autoridades colombianas de temas como integração sul-americana, comércio, meio ambiente e segurança fronteiriça. Cerca de 30 delegações estrangeiras confirmaram presença, incluindo o rei Felipe VI, da Espanha, o presidente argentino Javier Milei e o presidente eleito chileno José Antonio Kast. Já os ex-presidentes colombianos Álvaro Uribe, Juan Manuel Santos e Ernesto Samper não vão à cerimônia.