27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram, nesta quinta-feira (6), uma nota de apoio ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, em meio à tensão com o ministro do STF André Mendonça, relator da Operação Sem Desconto, que apura fraude no INSS.
Na nota, os superintendentes afirmam que a PF "não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei" e defendem a "preservação da independência técnica das investigações" como indispensável para o exercício da missão constitucional do órgão.
A origem da crise entre Mendonça e a PF
Mendonça é relator não só do caso do Banco Master e da Operação Sem Desconto, mas também das investigações que apuram suspeita de tráfico de influência e corrupção envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, em contratos ligados ao Ministério da Saúde e à Dataprev. Fábio Luís não foi denunciado nem condenado — ele é alvo de apuração, a pedido da própria Polícia Federal, que solicitou a abertura de três novos inquéritos sobre o caso.
O atrito cresceu depois que Mendonça determinou que a PF apresente ao STF toda a documentação da Operação Sem Desconto e que o avise com antecedência sobre qualquer troca nos delegados responsáveis pelo caso. O ministro também reclamou da demora na condução do inquérito. Andrei Rodrigues, por sua vez, diz seguir há mais de 20 anos o protocolo de não interferência em investigações conduzidas por delegados subordinados.
A nota dos superintendentes e a tentativa de acordo
Diante do impasse, o Ministério da Justiça e a Advocacia-Geral da União sugeriram, também nesta quinta-feira, uma reunião entre Mendonça e Rodrigues para tentar reduzir a tensão entre as duas instituições. Mendonça não se opôs à ideia, mas nenhuma data havia sido marcada até a publicação desta nota. A expectativa agora é que o encontro ajude a destravar o principal ponto de atrito: o acesso e o ritmo das investigações que miram o filho do presidente.













