Os Estados Unidos revogaram, nesta terça-feira (4), o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, alegando atraso do Brasil na aprovação do indicado de Donald Trump para a embaixada em Brasília. O Itamaraty classificou a justificativa como falsa. Nesta quinta (6), o Senado dos Estados Unidos pode votar a indicação de Daniel Perez ao cargo.
Em nota, o governo brasileiro afirmou repudiar "a decisão anunciada hoje pelo Departamento de Estado dos EUA de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington", chamando de falsas as duas justificativas apresentadas por Washington. O Planalto lembra que a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas não fixa prazo para a concessão do agrément — o aceite formal que falta para Perez assumir o posto — e classifica o episódio como parte de uma escalada deliberada de medidas hostis motivada por razões ideológicas.
Como a crise diplomática chegou até aqui
A tensão vem se acumulando desde maio. Em 28 de maio, o Departamento de Estado designou as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais, atendendo a um pedido feito por Flávio Bolsonaro a Trump dois dias antes — o governo brasileiro tentou reverter a medida nos bastidores, sem sucesso. Em 1º de junho, Trump anunciou Daniel Perez como seu indicado à embaixada em Brasília, e em 30 de junho pediu formalmente o agrément ao Brasil, quebrando o protocolo diplomático ao divulgar o nome antes de consultar o governo brasileiro.
Em julho, os Estados Unidos impuseram tarifa adicional de 25% sobre milhares de produtos brasileiros e mais 12,5% ligada a investigações sobre trabalho forçado, em vigor desde o dia 22 sobre cerca de 3 mil itens de exportação. Dias depois, em 25 de julho, o Itamaraty negou vistos aos funcionários americanos Riley Barnes e Samuel Samson, sob suspeita de que a missão deles no Brasil pretendia questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
O que muda com a votação do Senado nesta quinta
O plenário do Senado americano pode votar a indicação de Perez nesta quinta, em bloco com outros nomes da diplomacia dos EUA, entre eles os indicados para as embaixadas no Camboja e na Gâmbia. Perez foi sabatinado em 16 de julho e teve o nome aprovado pelo Comitê de Relações Exteriores do Senado em 22 de julho. Mesmo com aval do plenário, ele segue dependendo do agrément do Brasil para assumir o posto em Brasília — documento que o governo brasileiro ainda não concedeu. O Departamento de Estado afirma que o visto de Viotti será restaurado assim que o aceite for dado.














