O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou, em entrevista ao g1 e à GloboNews nesta quarta-feira (5), que não vai cumprir decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerar ilegais, citando como exemplo decisões monocráticas — tomadas por um único ministro. Ele também chamou parlamentares do Centrão de "parasitas e vagabundos".

Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) em 2014, Renan Santos disputa pela primeira vez uma eleição. Ele articulou a criação do partido Missão, aprovado pelo TSE em novembro de 2025, e hoje é um dos candidatos à Presidência na disputa de 2026.

STF e o Centrão

Questionado sobre governabilidade, Renan disse que "não dá para governar sem o Centrão", mas prometeu não fazer "discurso de molecagem" nas negociações: "Eu terei que negociar com eles, compor o governo, mas vou estabelecer regras. O eleitor brasileiro vai eleger pelo menos 300 parasitas e vagabundos" — chamou parte do bloco também de "picaretas". Como exemplo de pauta que exigiria esse tipo de negociação, citou a PEC Fiscal, pacote de ajustes para reduzir os gastos públicos, e reconheceu que aceitaria fatiar a proposta para facilitar sua tramitação no Congresso.

Segurança pública: "prendeu, matou" e a distância de Bukele

Renan reafirmou o slogan de campanha "prendeu, matou", criticando o que chama de excesso de soltura em audiências de custódia: "Hoje a regra é o prendeu, soltou." Segundo ele, "prendeu ou matou, não tem outro caminho" — fazendo a ressalva de que cidadão deve ser tratado como cidadão e bandido como bandido.

Questionado sobre semelhanças com o presidente de El Salvador, Nayib Bukele — que suspendeu garantias como o habeas corpus e promove prisões em massa sem mandado individual —, Renan respondeu: "Eu não sou o Bukele, eu sou brasileiro", lembrando que nasceu no bairro da Mooca, em São Paulo. Disse reconhecer a eficácia do modelo salvadorenho contra o crime organizado, mas descartou reproduzir aqui medidas como prisões sem mandado ou julgamentos coletivos: "El Salvador não é igual ao Brasil."