Oito em cada dez brasileiros adultos foram abordados por golpistas entre março de 2025 e fevereiro de 2026, com uma média de 202 tentativas de golpe por pessoa no período. O prejuízo total chegou a R$ 21,2 bilhões, segundo o relatório "O Estado dos Golpes no Brasil 2026", da Global Anti-Scam Alliance (GASA), divulgado nesta quinta-feira (6).
Ao todo, foram registradas 34 bilhões de tentativas de golpe contra adultos brasileiros no período — uma média de uma abordagem a cada dia e meio por pessoa. Segundo o levantamento, 22% dos brasileiros enfrentam tentativas diariamente, quase o dobro da média global de 13%, e 38% efetivamente perderam dinheiro para fraudes, ante 23% no mundo todo.
Quais golpes são mais comuns e por onde os golpistas atacam?
A ligação telefônica é a porta de entrada mais usada pelos criminosos, presente em 53% dos casos, seguida por abordagens via WhatsApp, Gmail e Instagram. O relatório também aponta uso crescente de ferramentas de inteligência artificial, como deepfakes e clonagem de voz, para dar mais credibilidade aos golpes. Entre os tipos mais comuns estão fraudes em compras online — que afetam 60% das vítimas —, ofertas de "dinheiro inesperado", falsas oportunidades de emprego e o golpe da falsa central de atendimento.
Millennials (nascidos entre 1981 e 1996) e pais de crianças de 7 a 17 anos aparecem como os grupos mais vulneráveis, com perda média de R$ 1.982 por golpe nessas faixas — acima da média geral de R$ 1,2 mil por vítima.
Como se proteger e o que fazer se cair num golpe?
Apenas 42% dos brasileiros entrevistados disseram se sentir confiantes para reconhecer um golpe, e 1 em cada 3 vítimas perdeu dinheiro mais de uma vez. A GASA recomenda analisar ofertas com calma antes de decidir, evitar decisões automáticas baseadas em emoção, confirmar informações por canais oficiais da empresa ou instituição e verificar extratos bancários regularmente para identificar transações não reconhecidas.
Quem cai em um golpe tem chance real, mas não garantida, de reaver o prejuízo: apenas 20% das vítimas conseguiram recuperar o dinheiro ou obter reembolso. "Confiança não se constrói apenas com discurso. A segurança de dados é um componente estratégico", disse Renata Salvini, diretora do capítulo Brasil da GASA, organização presente em mais de 40 países.











