Sete novas marcas chinesas de automóveis devem desembarcar no Brasil até 2028: iCAUR, Lepas, Luxeed, Freelander e Exeed, do grupo Chery, além da Dongfeng (que vai operar como DFM) e da Baic, dona também da Foton no país. A chegada acontece enquanto a participação das chinesas no mercado brasileiro já dobrou em um ano, de 9,8% para 16,3%.
O Brasil já tem 14 marcas chinesas de carros em operação — BYD, Caoa Changan, Caoa Chery, Denza, Foton, GAC, Geely, GWM, JAC, Jetour, Leapmotor, MG Motor, Omoda Jaecoo e Zeekr —, segundo levantamento da revista Exame. Em 2025, 37,6% dos 498 mil veículos importados registrados no país vieram da China, superando pela primeira vez fornecedores tradicionais como México e países do Mercosul. No primeiro semestre de 2026, o Brasil se tornou o maior importador mundial de carros chineses, com US$ 5,2 bilhões em compras.
O que já está confirmado e o que ainda é plano
Dentro do grupo Chery, o cronograma já tem data: a iCAUR chega em 2027 com o modelo V27, equipado com tecnologia de range extender (REEV), além das versões V23 e V25. A Lepas também estreia em 2027, com SUVs de linha mais tradicional. Luxeed e Freelander ficam para 2028, reunidas sob a marca guarda-chuva Exeed, mirando o consumidor de maior poder aquisitivo. A Chery avalia ainda instalar fábrica própria no Brasil — a planta de Itatiaia (RJ), ex-Jaguar Land Rover, é uma das opções em estudo, mas a decisão depende de incentivos estaduais.
A Dongfeng, que vai atuar sob a sigla DFM, já aprovou 57 lojas com 31 grupos de concessionários e prevê presença em 21 estados brasileiros; a expectativa é usar a fábrica da Nissan em Resende (RJ) para montar carros no país a partir de 2028. Já a Baic, uma das maiores estatais automotivas da China e dona da Foton no Brasil, mira o segmento premium, concorrendo com marcas como Audi, BMW e Mercedes-Benz — parte de uma "segunda onda" chinesa que, ao contrário da leva de 2025 (GAC, Geely, Leapmotor, Jetour, MG Motor, Denza e Changan), prioriza posicionamento de luxo em vez de volume.
O que muda para quem vai comprar carro
A concorrência chinesa já derruba preços: o Fiat Fastback, por exemplo, caiu de R$ 173.490 para R$ 134.990, e a Toyota passou a oferecer bônus de até R$ 40 mil na troca por um usado, segundo a InfoMoney. Montadoras tradicionais como Volkswagen, Fiat e Honda também reforçaram campanhas promocionais. Mas o efeito tem limite: desde 1º de julho de 2026, o imposto de importação sobre carros elétricos e híbridos que chegam prontos (modalidade CBU) subiu para 35%, o teto do cronograma de reoneração definido pelo governo federal em 2023 — o que empurra as chinesas a investir em produção local em vez de só importar.
Para o consultor automotivo Milad Kalume Neto, em entrevista à Exame, o espaço para novas marcas não é ilimitado: "Quem tiver maior poder de investimento e prestar mais atenção ao consumidor brasileiro vai ficar. Não tem segredo, quem manda é o mercado: se o consumidor se sentir lesado, nunca mais vai querer marca chinesa." Segundo a Anfavea, a fatia chinesa no mercado brasileiro pode chegar a 20% até o fim de 2026 e a 35% em 2035, na projeção do ex-presidente da entidade Rogélio Golfarb.












