Pecuaristas brasileiros que exportam para a União Europeia correm para embarcar o máximo de carga antes de 3 de setembro, quando entra em vigor o veto do bloco à carne bovina do país por falta de garantias sobre uso de antimicrobianos. Depois de definido, o bloqueio deve durar pelo menos dois anos, ligado ao ciclo de vida do boi.

O motivo do veto e o prazo de dois anos

A União Europeia oficializou a decisão em 5 de junho, alegando que o Brasil não demonstrou cumprir as exigências sanitárias do bloco sobre o uso de antimicrobianos como virginiamicina e avoparcina em toda a cadeia produtiva. O país havia restringido algumas dessas substâncias em abril, mas a UE avaliou que ainda faltavam garantias. Em reunião recente com o Ministério da Agricultura, o produtor André Bartocci, que preside a Câmara Setorial da Carne Bovina, foi informado de que a Europa não deve voltar a comprar carne bovina brasileira antes de dois anos — tempo que um boi submetido hoje aos novos protocolos leva para chegar ao abate dentro das novas regras.

A UE representa apenas 5,8% das exportações brasileiras de carne bovina no total, mas em 2025 o bloco comprou 368,1 mil toneladas de carnes do Brasil, incluindo 128 mil toneladas de carne bovina, num total de US$ 1,8 bilhão — o segundo maior destino em valor, atrás só da China.

A corrida dos pecuaristas antes do prazo final

O impacto é mais forte para produtores especializados, como Bartocci e Rafael Andrade Asato, ambos de Mato Grosso do Sul, que têm 100% do rebanho voltado às exigências europeias — o que inclui rastreamento individual de cada animal por brinco com chip. "Investimos durante anos para atender à União Europeia. É frustrante. Faz mais de 20 anos que rastreio gado para exportar carne para a Europa", disse Bartocci.

Asato, diretor da Fazenda Campanário, corre contra um prazo comercial: "Se eu conseguir vender os animais para o frigorífico até 21 de agosto, ainda recebo o prêmio pago pelo boi padrão Europa. A partir do dia 22, esse prêmio deixa de existir." Segundo pesquisador do Cepea, esse prêmio pode chegar a 10% acima da cotação média do boi no mercado nacional. Os dois pecuaristas avaliam que a exigência sobre antimicrobianos também tem motivação protecionista, ligada às negociações comerciais entre Mercosul e União Europeia.