O ministro do STF André Mendonça se reuniu nesta quinta-feira (6) com o ministro da Justiça, Wellington Cézar Lima e Silva, para tentar reduzir a tensão entre seu gabinete e a Polícia Federal. Está em jogo a condução de inquéritos que miram Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, sob relatoria de Mendonça.
Qual é a origem do atrito com a PF?
Mendonça, relator dos casos que envolvem Lulinha, determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, da investigação, sem acesso às informações do caso. A tensão escalou depois que a PF pediu a abertura de três novos inquéritos contra Lulinha por suposto tráfico de influência e corrupção envolvendo o Ministério da Saúde e a estatal Dataprev — pedido que setores do STF interpretaram como uma tentativa de afastar Mendonça da relatoria. Do outro lado, Mendonça reclama da demora da PF em dar andamento ao inquérito do INSS que cita Lulinha e de uma troca na coordenação da equipe de investigação. Cerca de duas semanas antes da reunião, a PF havia entrado com ação contra medidas de Mendonça que ampliavam seu controle sobre os casos.
O que muda com a reunião de quinta-feira?
Segundo relatos sobre o encontro, Wellington Cézar se colocou à disposição de Mendonça para ajudar na interlocução com a PF e ofereceu diálogo permanente; a conversa foi descrita como positiva, com garantias de que a corporação vai operar "com independência, com autonomia e sem interferência". Durante o encontro, foi sugerida uma reunião direta entre Mendonça e Andrei Rodrigues — o ministro do STF não se opôs, mas a data ainda não foi marcada. Antes desse movimento, os 27 superintendentes regionais da PF já haviam divulgado nota conjunta em defesa de Rodrigues, reafirmando o "compromisso da instituição" com a Constituição, a legalidade e o Estado Democrático de Direito.














