A renovação de contrato de Memphis Depay com o Corinthians segue sem assinatura desde que as partes fecharam um princípio de acordo em 4 de agosto. O imbróglio final é uma cláusula sobre a dívida do clube com o atacante em caso de novo atraso de pagamento, em meio a divisão interna sobre sua permanência.

A cláusula que trava a assinatura

O vínculo anterior de Memphis, firmado em setembro de 2024, venceu em 31 de julho. A dívida do Corinthians com o atacante soma cerca de R$ 45 milhões, valor que pode chegar a R$ 77 milhões com juros, multa e correção monetária. O jogador já havia aceitado receber os R$ 77 milhões em quatro parcelas semestrais, mas o novo contrato discute uma condição adicional: pela proposta do estafe de Memphis, se o Corinthians atrasar os pagamentos de novo, a dívida volta ao valor integral, sem o desconto negociado. O novo vínculo, que se estenderia até meados de 2028, prevê cerca de R$ 70 milhões em salários, direitos de imagem e marketing ao longo de duas temporadas, redução considerável em relação ao contrato anterior, de R$ 108,6 milhões. Memphis já concluiu os exames médicos exigidos para a formalização, mas o clube e os representantes do jogador ainda negociam os diferentes instrumentos contratuais. Na noite de 6 de agosto, com a renovação ainda em aberto, o atacante acompanhou do camarote da Neo Química Arena o jogo de volta entre Corinthians e Internacional pelas oitavas de final da Copa do Brasil.

Pressão política dentro do Parque São Jorge

O impasse pela renovação também expôs uma divisão dentro do clube. Dirigentes, conselheiros e associados do Parque São Jorge aconselharam o presidente Osmar Stabile a não renovar com Memphis, alegando queda de rendimento do atacante em campo e falta de fôlego financeiro do clube para o novo contrato. Do outro lado, o executivo de futebol Marcelo Paz, o técnico Fernando Diniz, parte da torcida e o próprio Stabile defendem a permanência do holandês. A posição favorável do presidente à renovação gerou desconforto entre aliados políticos, que já cogitam retirar apoio a uma eventual candidatura de Stabile à reeleição nas eleições internas do clube, previstas para o fim deste ano. Até a publicação desta reportagem, nem Memphis nem dirigentes do Corinthians haviam se manifestado publicamente sobre os detalhes do impasse.