Os Estados Unidos revogaram nesta terça-feira (4) o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, segundo confirmou o Departamento de Estado americano. A medida é vista como retaliação à demora do governo brasileiro em aprovar as credenciais de Daniel Perez, deputado estadual da Flórida indicado por Donald Trump para chefiar a embaixada dos EUA em Brasília.

A informação foi divulgada inicialmente pelo jornalista Paulo Figueiredo, que participou de um briefing fechado com jornalistas. Segundo o governo americano, Viotti não será expulsa e pode permanecer nos Estados Unidos mesmo sem visto válido — o documento poderá ser restabelecido assim que o Brasil conceder o "agrément", a autorização diplomática necessária para Perez assumir o cargo em Brasília. Um funcionário americano afirmou ainda que "outras ações não estão descartadas" contra autoridades brasileiras.

O que motivou a crise entre Brasil e EUA?

A escalada começou quando o Itamaraty negou vistos a dois funcionários do Depto de Estado, Riley Barnes e Samuel Samson, que segundo reportagem do Washington Post planejavam, em visita ao Brasil, questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro. Em resposta, Washington passou a pressionar pela aprovação de Perez como embaixador, citando o princípio de reciprocidade diplomática, e agora revogou o visto da própria embaixadora brasileira.

Como o governo brasileiro reagiu?

O Itamaraty confirmou o cancelamento do visto de Viotti e informou que diplomatas brasileiros estão "reunindo informações" para entender oficialmente os motivos da medida americana. Até a divulgação do caso, nem o Depto de Estado nem o Itamaraty haviam se pronunciado publicamente com uma nota oficial. Em convenção do PT no dia 31 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia comentado o desgaste com Trump: "Às vezes ele quer brigar comigo. Eu não quero brigar com ele... Não sou bobo."

Maria Luiza Viotti está à frente da embaixada brasileira em Washington desde 2023, quando se tornou a primeira mulher a chefiar a representação diplomática do país nos Estados Unidos. Antes disso, foi embaixadora do Brasil na Alemanha e chefe de gabinete do secretário-geral da ONU, além de ter presidido o Conselho de Segurança da ONU como representante brasileira.