O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nesta terça-feira (18) um mapa em sua rede social que identifica o Estreito de Ormuz como "novo território dos EUA". A publicação chega um dia depois de ele chamar a anexação da hidrovia iraniana de "uma ótima ideia".

Segundo o Brasil 247, a imagem circula a passagem marítima na costa iraniana. O Estreito de Ormuz é por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo mundial.

O Irã fechou o tráfego pelo estreito desde o fim de fevereiro, paralisando parte do fluxo global de petróleo. A Arábia Saudita retomou carregamentos recentemente, após uma pausa provocada pelo conflito.

"Quero dizer que nós o controlamos", disse Trump a jornalistas na véspera, segundo a Metrópoles. "Gosto da ideia de declará-lo um território", completou.

Não é a primeira vez que Trump usa esse recurso: mapas semelhantes já classificaram Venezuela, Canadá e Groenlândia como território dos Estados Unidos.

A resposta do Irã

O Irã já havia rejeitado o discurso da anexação. "O Estreito de Ormuz foi iraniano, é iraniano e continuará sendo iraniano", disse o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, em declaração à imprensa no dia 15 de agosto.

O que isso significa para o preço no Brasil

O incidente pressionou o mercado. Segundo a agência britânica Maritime Trade Operations, um projétil desconhecido atingiu nesta terça uma embarcação que deixava a região.

O petróleo Brent, referência internacional, subia 0,67%, a US$ 91,48 o barril, maior valor desde o início de agosto, de acordo com o portal português RTP.

A cotação do Brent é a principal referência da política de preços da Petrobras para gasolina, diesel e etanol no país. Segundo análise do banco Citi, cada alta de 10% no preço da gasolina no atacado adiciona cerca de 30 pontos-base ao IPCA.

Uma alta sustentada de 35% no barril, mantida por três meses, acrescentaria cerca de US$ 2,5 bilhões ao superávit comercial brasileiro, equivalente a 0,1% do PIB, segundo a mesma análise do Citi, de março deste ano.

No Brasil, o tema já motivou reação do governo: o presidente Lula chegou a dizer que a Margem Equatorial poderia suprir petróleo caso Trump chegasse a fechar o estreito.

Quem decide o destino de Ormuz

O mapa publicado por Trump é uma reivindicação retórica, não uma mudança de fronteira reconhecida. Analistas citados pela imprensa internacional apontam que nem Estados Unidos nem Irã controlam de fato toda a passagem.

O preço do barril amanhã depende do tráfego real na água, não da postagem de hoje.