A Justiça do Rio travou o pedido do Vasco para contratar um empréstimo de até R$ 150 milhões, feito pelo clube sob alegação de risco de "colapso" no fluxo de caixa. A juíza Simone Gastesi Chevrand pediu um relatório de auditoria antes de decidir.

Segundo o despacho, "não serão admitidos novos endividamentos enquanto não realizada a auditoria".

O Vasco pedira o financiamento em caráter de urgência, dizendo que o caixa disponível não dura mais de 7 dias.

Sem os recursos, o clube alega risco de atraso em salários, direitos de imagem, encargos trabalhistas e tributários, fornecedores e parcelas já previstas na recuperação judicial.

Quem faria o empréstimo

O financiamento seria concedido pela Almirante Participações, empresa do empresário Marcos Lamacchia, que negocia a compra de 90% da futura SAF do Vasco.

Lamacchia é o investidor-âncora da operação e tem mecanismo contratual de preferência para igualar propostas concorrentes. A proposta dele inclui R$ 500 milhões para o futebol, R$ 150 milhões para o CT e R$ 80 milhões em perdão de dívida.

Cada movimento jurídico do clube precisa passar por dois interventores, pelo Ministério Público, por um gatekeeper e pela própria juíza.

O tamanho do rombo

O Vasco projeta receita de cerca de R$ 500 milhões e despesas de quase R$ 800 milhões em 2026, déficit próximo de R$ 300 milhões.

Sem entrada de novos recursos, a necessidade de caixa acumulada pode chegar a R$ 150 milhões até o fim de outubro, e a R$ 210 milhões até dezembro, segundo os números apresentados pelo clube ao processo.

Já em 2025, o Vasco havia sido autorizado a captar R$ 80 milhões em financiamento. Em 2026, somou mais cerca de R$ 120 milhões com a venda do jogador Rayan e R$ 40 milhões em outro empréstimo.

O que fica indefinido

Faltam 24 dias para o fim da janela de transferências. O processo de auditoria pedido pela juíza tem prazo mínimo estimado de 15 dias, podendo chegar a 30.

Na prática, mesmo que o empréstimo seja liberado, o dinheiro pode chegar ao Vasco só depois de a janela de contratações já ter fechado.