A governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) aparecem empatados com 43% das intenções de voto no cenário estimulado para o governo de Pernambuco, segundo pesquisa do instituto Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira (17).
No cenário de segundo turno, o empate se repete. Lyra e Campos marcam 44% cada, com 5% de votos brancos ou nulos e 7% de indecisos, segundo o mesmo levantamento.
Completam a disputa Renan Hallais (Missão), com 3%; Ivan Moraes (PSOL), com 2%; e Camila Falcão (UP), com menos de 1%.
Lyra tem rejeição de 40% entre os entrevistados, contra 35% de Campos. A gestão da governadora à frente do estado é aprovada por 60% dos pernambucanos e desaprovada por 37%, aponta o instituto.
O Real Time Big Data ouviu 1.600 pessoas entre 12 e 15 de agosto, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A pesquisa foi contratada pela própria Real Time Mídia Ltda e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PE-06056/2026.
Como o empate se formou nos últimos meses
A aproximação não é repentina. Segundo o próprio instituto, Campos caiu de 50% em abril para 44% em julho e agosto, enquanto Lyra subiu de 33% para 43% no mesmo período.
Outros institutos mostraram cenário diferente. A Quaest apontou Lyra com 43% e Campos com 37% em pesquisa anterior.
O Datafolha, em 28 de maio, deu à governadora 48% contra 43% do ex-prefeito. O Real Time Big Data é o primeiro levantamento a registrar o empate técnico nos dois turnos ao mesmo tempo.
A disputa reúne dois nomes de peso nacional. Campos é filho do ex-governador Eduardo Campos, do PSB, que comandou Pernambuco entre 2007 e 2014 e morreu em acidente aéreo em Santos (SP), durante a campanha presidencial de 2014.
Ele renunciou à prefeitura do Recife em 2 de abril, dois dias antes do prazo de desincompatibilização. Havia sido reeleito em 2024 com 78,11% dos votos válidos, a maior votação para o cargo desde a redemocratização das eleições municipais, em 1985.
Lyra se tornou a primeira mulher eleita governadora de Pernambuco. Venceu o segundo turno de 2022 com 58,70% dos votos válidos, contra a então adversária Marília Arraes, do PSB.
Quatro anos depois, Arraes integra a chapa de Campos como pré-candidata ao Senado, pelo PDT.
As mesmas duas forças de 2022 voltam a se enfrentar, agora em posições trocadas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se tornou fator central da corrida. Em junho, ele gravou um vídeo de apoio à candidatura de Campos. "O meu partido e eu estamos apoiando o João Campos para candidato a governador", afirmou Lula.
Lyra busca neutralidade do governo federal. "A gente tem liberdade aqui em Pernambuco para construir o melhor caminho", disse a governadora, durante os festejos juninos.
No apoio municipal, Lyra soma hoje 126 prefeitos aliados, 80 deles do PSD, contra 41 aliados de Campos.
Por que o empate ainda não fecha o cenário
A pesquisa Real Time Big Data é a primeira a mostrar Lyra e Campos tecnicamente empatados nos dois turnos ao mesmo tempo.
Levantamentos anteriores, como Quaest e Datafolha, davam vantagem à governadora. A divergência entre institutos mostra que o cenário em Pernambuco segue em aberto até a convenção partidária e o registro oficial das candidaturas.


























