A Polícia Federal aponta que a lobista Roberta Luchsinger intermediou a compra de um colar e um par de solitários de diamante, avaliados em R$ 9,2 mil, para o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. O achado, revelado em mensagens interceptadas, embasou um novo inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal em 4 de agosto.

De acordo com a Polícia Federal, as mensagens foram encontradas no celular de Roberta, apreendido dentro da Operação Sem Desconto.

A operação apura fraude em descontos associativos do INSS. O diálogo sobre as joias aconteceu em 29 de abril de 2024, véspera do Dia das Mães daquele ano.

Marco Aurélio Santana Ribeiro deixou o cargo de chefe de gabinete da Presidência em 21 de julho deste ano.

Em nota, a defesa de Marcola confirmou a compra das joias.

Segundo os advogados, o valor faz parte de um empréstimo pessoal de R$ 249 mil, "devidamente registrado por transferência bancária" e já quitado. A documentação será apresentada à Justiça para comprovar a legalidade da operação.

Procurado, o advogado Roberto Podval, que defende Roberta Luchsinger, disse que não comentaria o caso porque as investigações correm em sigilo.

É um novo capítulo da mesma investigação sobre a proximidade entre Roberta e Lulinha. A TV Sim Brasil já mostrou o contrato de canabidiol que ela enviou a Marcola.

O repasse do Careca do INSS

A Polícia Federal também rastreou R$ 1,5 milhão transferidos a Roberta pelo empresário Antonio Camilo Antunes, o Careca do INSS, alvo da mesma Operação Sem Desconto.

Documentos da CPMI mostram cinco parcelas de R$ 300 mil pagas por uma empresa ligada a Antunes à RL Consultoria e Intermediações, de Roberta.

Questionado por um interlocutor sobre o destinatário de uma dessas transferências, Antonio Camilo respondeu, segundo a PF: "O filho do rapaz".

A autoridade policial interpreta a frase como possível referência a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, amigo de Roberta. O dossiê não mostra se ele soube da mensagem ou participou da negociação.

Foi com base nesse material que o ministro Flávio Dino, do STF, autorizou a abertura do inquérito.

O tribunal diz que a apuração mira "suposta atuação de um grupo de pessoas que teria negócios ilícitos com órgãos do governo federal".

É o terceiro inquérito contra o entorno de Lulinha aberto em cerca de duas semanas. Os outros dois, de André Mendonça, tratam de tráfico de influência ligado a uma empresa de canabidiol e de irregularidades na Dataprev.

Procurada, a defesa de Lulinha, com os advogados Guilherme Suguimori e Marco Aurélio de Carvalho, disse que ele "comprovará, ao final, que não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade".

Os advogados afirmaram ainda ter recebido a notícia do novo inquérito com "absoluta serenidade".

A Operação Sem Desconto, que originou o material contra Roberta, apura descontos irregulares em aposentadorias do INSS.

Segundo balanço da PF, uma das fases, em dezembro de 2025, mobilizou cerca de 700 policiais federais e bloqueou bens acima de R$ 1 bilhão.

Quantos capítulos o mesmo material ainda pode render

Das três frentes abertas contra o entorno de Lulinha, duas nasceram do mesmo celular de Roberta Luchsinger, apreendido na apuração sobre fraude no INSS.

Com a PF ainda analisando o material, fica em aberto se novos inquéritos vão se somar aos três já autorizados pelo STF.