A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta sexta-feira (7) que a estatal pode rever investimentos diante de uma possível mudança regulatória no mercado de gás natural. A fala veio horas depois de a ANP aprovar, por unanimidade, a abertura de consulta pública sobre o gas release, programa que busca reduzir a concentração da Petrobras no setor.
Em teleconferência com analistas, Chambriard reagiu: "Não somos uma ONG. Somos uma empresa, e empresa tem que dar lucro." Ela citou o projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP) como um dos que podem ser reavaliados: "Ainda não sabemos como isso vai terminar, mas o fato é que... vamos ter que olhar os projetos à luz de uma possível alteração regulatória."
O que muda com o gas release
O programa prevê leilões anuais entre 2027 e 2030, começando com 8 milhões de m³ por dia e chegando a 9,2 milhões de m³ por dia. A produção própria da Petrobras fica de fora: o programa mira apenas o gás de terceiros comprado pela estatal e o gás importado pelo Gasbol. A Petrobras detém 59% das vendas de gás no país, e 95% dos agentes do setor apoiam a medida, considerada "moderada" entre as alternativas discutidas pela ANP.
A disputa sobre o preço do gás
O relator da proposta na ANP, Pietro Mendes, afirmou que a Petrobras vende o gás mais caro que agentes privados: "O grande atravessador que temos hoje no mercado é a própria Petrobras." Segundo ele, a estatal compra o gás a US$ 3,80 por milhão de BTU no poço e revende a distribuidoras e consumidores livres a US$ 12,40 — no mercado termelétrico, o preço fica em US$ 9,20.
Dentro da própria Petrobras, o diretor de Transição Energética, William Nozaki, contesta a medida: para ele, redistribuir os volumes que já existem não resolve o problema estrutural de desabastecimento do país.














