O Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, uma taxa de 19,1 por 100 mil habitantes — o menor patamar desde 2012 e queda de 8,2% em relação ao ano anterior. Os dados são da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicada em 23 de julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que reúne os registros oficiais das polícias de todas as unidades da federação.

Em Minas Gerais, o recuo foi mais acentuado que a média nacional: o estado saiu de 3.219 mortes violentas intencionais em 2024 para 2.770 em 2025, uma redução de 449 casos, ou 13,9%. Ao todo, 20 estados registraram queda no indicador, com os maiores recuos no Amazonas (-32,5%) e no Rio Grande do Sul (-25,7%). Outros sete estados tiveram alta, liderados pelo Rio Grande do Norte (+19,6%), Rondônia (+7,5%) e Acre (+6,3%).

Feminicídios andam na direção contrária

O movimento geral de queda não alcançou a violência letal contra mulheres. O país contabilizou 1.571 feminicídios em 2025, o equivalente a 4,3 mortes por dia, com taxa de 1,4 vítima por 100 mil mulheres e alta de cerca de 4%. As tentativas de feminicídio somaram 4.189 casos, aumento de 5,9%.

O dado mais expressivo do levantamento é a proporção: 44,4% das mulheres assassinadas no Brasil em 2025 foram mortas por razões de gênero, o maior percentual desde que o feminicídio passou a ser tipificado no Código Penal, em 2015. Entre as vítimas, 65,1% eram mulheres negras e 17,2% tinham entre 25 e 29 anos.

Minas Gerais acompanhou essa curva. O estado passou de 169 feminicídios em 2024 para 177 em 2025, alta de 4,7%. Na comparação com 2015, o crescimento chega a 32%. Ao longo dos últimos dez anos, Minas somou 1.585 casos do tipo.

Uma em cada seis mortes veio de ação policial

Outro indicador que subiu foi o das mortes decorrentes de intervenção policial: foram 6.602 registros em 2025, aumento de 5,4% sobre 2024. O número representa 16,2% de todas as mortes violentas intencionais do país — ou seja, uma a cada seis. Em municípios como Eunápolis e Porto Seguro, na Bahia, a ação policial respondeu por algo entre 35% e 45% das mortes violentas.

O anuário também mostra que a violência letal segue geograficamente concentrada: os dez municípios com as maiores taxas de mortes violentas do país estão todos no Nordeste. Maranguape, no Ceará, lidera o ranking nacional, com 100,3 mortes por 100 mil habitantes. Os pesquisadores associam parte dessa concentração a disputas entre facções — especialmente entre Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro — por rotas estratégicas do tráfico.

Publicado anualmente desde 2007, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública é a principal série histórica de criminalidade do país e serve de base para o desenho de políticas públicas de segurança em estados e municípios.