O governo brasileiro rebaixou nesta terça-feira (4) a relação diplomática com a Argentina ao nível mínimo, sem embaixador de carreira em Buenos Aires, depois de o presidente argentino Javier Milei chamar Lula de "ladrão" e "presidiário" em discurso na convenção do PL, em São Paulo. É a crise mais grave entre os dois países desde a redemocratização.
O Itamaraty classificou os ataques de Milei como uma "provocação sem precedentes em mais de 200 anos de relações bilaterais" e disse que a ofensa atinge "não somente o presidente Lula e o Poder Judiciário, mas também as instituições democráticas". O embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, foi convocado à chancelaria brasileira para receber o protesto formal do governo.
Como a crise chegou a esse ponto
O estopim foi a visita de Milei a São Paulo, em 25 de julho, para o lançamento da candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro. No discurso, o presidente argentino chamou Lula de "presidiário" e classificou o ministro do STF Alexandre de Moraes como "lixo careca". Na sequência, o Brasil chamou de volta ao país seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas com o chanceler Mauro Vieira. Milei voltou a atacar Lula em entrevista de TV em 2 de agosto, chamando-o de "ladrão" e "corrupto" e dizendo que ele foi "solto por erro processual".
O que muda na relação entre os países
Com o rebaixamento, a representação brasileira em Buenos Aires passa a ser chefiada por um encarregado de negócios, sem diplomata de carreira à frente da embaixada, e não há prazo definido para o retorno de Bitelli ao posto. O Itamaraty lembrou que a Argentina é a principal parceira comercial do Brasil, em 203 anos de relação entre os países. Lula minimizou as críticas de Milei, classificando-as como "patacoada" e se referindo ao argentino como "esse troço", sem entrar em confronto direto.














