O governo brasileiro comunicou nesta terça-feira (4) o rebaixamento da relação diplomática com a Argentina ao nível de encarregados de negócios, e pediu a saída do embaixador argentino de Brasília. A decisão responde a ataques repetidos do presidente Javier Milei, que chamou Lula de "ladrão" e "corrupto".

O chanceler brasileiro Mauro Vieira convocou o embaixador argentino, Guillermo Raimondi, para receber a notificação formal da medida por meio de nota de protesto. O Itamaraty afirmou que "não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas e ao povo brasileiro". O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, que já havia sido chamado de volta na semana anterior para prestar esclarecimentos sobre os insultos, não vai retornar ao posto.

O que motivou o rebaixamento?

As ofensas de Milei a Lula se intensificaram após a participação do presidente argentino no evento de pré-lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, em São Paulo, em 25 de julho. Os dois líderes vivem momento eleitoral: Lula lançou a pré-campanha à reeleição, buscando um quarto mandato, enquanto Milei mira a reeleição na Argentina em 2027 e enquadra as críticas a Lula como defesa dos "ideais da liberdade".

Como a Argentina reagiu?

Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (5), o chanceler argentino Pablo Quirno anunciou que o país não vai adotar medidas de retaliação em resposta ao rebaixamento. O governo argentino classificou a decisão brasileira como motivada por "questões puramente ideológicas" e afirmou que a relação entre os dois países deve ser guiada pelos interesses permanentes dos povos, e não por interesses pessoais ou políticos de governantes — uma referência indireta às declarações de Milei.