Novos vídeos divulgados mostram os policiais militares envolvidos na morte de Igor Oliveira de Moraes Santos, 24 anos, sussurrando entre si logo após os disparos que o mataram rendido, em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, em julho de 2025. Os dois PMs apontados como autores dos tiros foram absolvidos pelo júri em 30 de julho.
As imagens, gravadas por câmeras corporais dos próprios agentes, estão sendo analisadas pelas autoridades. Elas mostram um novo ângulo da abordagem, mas a essência do caso já era conhecida: Igor apareceu atrás de uma cama com as duas mãos na cabeça quando um PM atirou duas vezes, acertando a parede, e ordenou que ele se levantasse. Ao se levantar com uma mão para cima, o jovem foi atingido por um disparo, seguido de outro que o derrubou.
A morte de Igor e o julgamento dos PMs
O Ministério Público de São Paulo denunciou quatro policiais militares em 22 de julho de 2025: os cabos Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, apontados como autores dos disparos fatais, e os soldados Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus, acusados de colaboração. Para o MP, os agentes atiraram "com ânimo homicida, por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima", já que Igor estava rendido. A Polícia Militar mudou de versão ao longo da apuração: inicialmente disse que os agentes reagiram a uma denúncia de indivíduos armados com fuzis; depois passou a afirmar que a operação verificava uma "casa-bomba" na região, endereço que não foi localizado.
Cruz e Noguchi foram a júri no Fórum Criminal da Barra Funda, e o julgamento terminou em 30 de julho com a absolvição dos dois. Segundo a defesa, faltaram provas para confirmar a autoria e os policiais agiram em legítima defesa. Os jurados reconheceram que os dois cabos foram os autores dos disparos que mataram Igor, mas decidiram absolvê-los mesmo assim. Reis e Jesus, acusados de colaboração, têm o processo separado e ainda aguardam julgamento.
Os novos vídeos e o recurso da família
Inconformados, os advogados da família de Igor já recorreram da absolvição ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que pode determinar um novo julgamento pelo Tribunal do Júri. Eles afirmam que o resultado "contraria as provas apresentadas" no processo. É nesse contexto que as novas imagens, com os agentes sussurrando após os tiros, voltaram a chamar atenção para o caso.













