O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decidiu reduzir a vazão de água liberada pelas hidrelétricas brasileiras para preservar os reservatórios diante do risco de El Niño mais intenso no segundo semestre. A medida foi aprovada nesta quarta-feira (5), em reunião no Ministério de Minas e Energia, em Brasília.
Segundo o MME, a probabilidade de o fenômeno climático se intensificar ainda mais no segundo semestre de 2026 é de 70%. O El Niño tende a reduzir as chuvas justamente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o que pode comprometer os níveis dos reservatórios das bacias dos rios São Francisco, Tocantins e Paranapanema — usados para gerar energia.
Por que o governo tomou essa decisão agora?
A resolução aprovada pelo CMSE determina a "redução de defluências para preservação das cabeceiras dos reservatórios, visando à garantia de segurança hídrica futura do sistema". O comitê não detalhou de quanto será a redução, a partir de quando entra em vigor, nem quais hidrelétricas específicas vão segui-la. Também foram concluídas a revisão dos parâmetros de aversão ao risco e a aprovação da Curva de Referência 2026, além da antecipação de cinco contratos vencedores de leilões de reserva de capacidade.
Em julho, a chuva ficou acima da média nas bacias dos rios Jacuí, Uruguai, Iguaçu, Paranapanema e na área que abastece Itaipu, mas abaixo da média nas demais bacias de interesse do Sistema Interligado Nacional (SIN). O armazenamento de água nos reservatórios fechou julho em cerca de 70% no SIN, com o Sudeste/Centro-Oeste na posição mais apertada, em 63%.
Isso vai aumentar a conta de luz?
Não imediatamente. Segundo o balanço apresentado na reunião, os reservatórios seguem "dentro da normalidade", sem risco severo de escassez no curto prazo, e a redução de vazão é tratada como ação preventiva, não como resposta a uma crise já instalada. Como reforço ao sistema, cinco usinas vencedoras de leilões de reserva de capacidade vão antecipar a geração de 1,8 gigawatt a partir de 1º de setembro, o que ajuda a evitar acionamento de fontes mais caras caso as chuvas de fato fiquem abaixo do esperado.
O CMSE afirmou que vai continuar monitorando de forma permanente as condições de abastecimento e de atendimento ao mercado de energia elétrica do país, com as definições da reunião de quarta-feira a serem consolidadas em ata.













