Governo e oposição da Venezuela iniciaram nesta semana um diálogo para discutir a transição política do país, com apoio dos Estados Unidos. As negociações, lideradas por Jorge Rodríguez e Dinorah Figuera, também tratam da reconstrução após os terremotos de junho, que já mataram mais de 6 mil pessoas — tragédia à qual o Brasil enviou ajuda humanitária.

O primeiro contato entre as partes ocorreu por telefone, em 1º de agosto, e uma rodada presencial em Caracas foi marcada para os dias seguintes. Do lado governista, a delegação é chefiada por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Pela oposição, participa Dinorah Figuera, que lidera a Assembleia eleita em 2015 e reconhecida pelos Estados Unidos. A líder opositora María Corina Machado não integra as conversas.

A agenda da mesa inclui o fortalecimento das instituições democráticas, garantias políticas, atendimento às vítimas dos terremotos de 24 de junho e a definição de um caminho para uma eventual transição. O diálogo conta com apoio dos Estados Unidos, que mantêm pressão sobre o governo interino chefiado por Delcy Rodríguez desde a captura de Nicolás Maduro por forças americanas, em janeiro. Figuera agradeceu publicamente aos EUA e ao secretário de Estado, Marco Rubio, pelo apoio ao processo.

Como o Brasil ajudou após os terremotos?

Os terremotos de 24 de junho, com magnitudes de 7,2 e 7,5 e intervalo de menos de um minuto entre os abalos, atingiram principalmente La Guaíra e Caracas: mais de 850 prédios foram afetados e 190 desabaram por completo. O número de mortos, atualizado em 3 de agosto pela Agência Brasil, chegou a 6.125.

O Brasil foi um dos países que enviaram equipes de resgate, equipamentos, remédios e alimentos à Venezuela. O governo brasileiro despachou medicamentos e insumos médicos — seringas, luvas, máscaras, gazes e ataduras — e a Marinha montou um hospital de campanha em La Guaira, onde foram feitos mais de mil atendimentos médicos e cirurgias de baixa complexidade antes de ser desmobilizado em julho. Em conversa com a presidente interina Delcy Rodríguez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou a disposição do Brasil de continuar contribuindo para a reconstrução do país vizinho.