A saca de 60 quilos de soja fechou a sexta-feira (24) cotada a R$ 148,37 no Porto de Paranaguá (PR), o maior valor registrado em 2026, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). A alta diária foi de 0,61%, mas o que chama atenção é o acumulado do mês: 11,07% de valorização em julho. Uma semana antes, em 17 de julho, a saca já havia batido o maior patamar em seis meses, a R$ 141,02.
Em Minas Gerais, a saca fechou a R$ 136 no mesmo dia 24 de julho — também acima da média de estados como Bahia (R$ 130,50), Mato Grosso do Sul (R$ 129) e Maranhão (R$ 128), embora abaixo dos portos de Santos (R$ 149) e Rio Grande (R$ 143).
China compra mais, Estados Unidos vendem menos
Um dos motores da alta é a demanda da China. Segundo a Administração Geral das Alfândegas do país, as importações chinesas de soja brasileira somaram 12,08 milhões de toneladas em junho, alta de 13,7% ante o mesmo mês de 2025. No primeiro semestre de 2026, as vendas do Brasil à China chegaram a 34,75 milhões de toneladas, avanço de 9,1%. No sentido oposto, as compras chinesas de soja dos Estados Unidos caíram 42,4% no semestre, para 9,31 milhões de toneladas — em junho isolado, a queda foi de 20%.
A essa migração de demanda para o produto brasileiro soma-se um fator mais recente: a escalada do preço do petróleo, impulsionada pelo aumento das tensões no Oriente Médio, que também sustenta o mercado internacional de grãos. Contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago para dezembro fecharam a US$ 12,53 por bushel, alta de 0,78%.
Safra 2026/27 deve ser maior
Apesar da alta nos preços, produtores já se preparam para uma safra maior. A área de plantio da soja 2026/27 pode chegar a 49,1 milhões de hectares no país, crescimento de 1,2% sobre os 48,5 milhões de hectares da safra anterior, com Mato Grosso expandindo cerca de 1,5%. A consultoria Safras & Mercado projeta colheita de 180,089 milhões de toneladas para o novo ciclo, ante 178,3 milhões de toneladas na safra 2025/26.
















