O governo brasileiro classificou nesta terça-feira (4) como falsas as justificativas dos Estados Unidos para revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti em Washington. Em nota do Itamaraty, o Planalto acusou Washington de promover uma "escalada deliberada de medidas hostis" e de tentar interferir na eleição presidencial de 2026.
Segundo o Itamaraty, "fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente". Em retaliação, o Brasil negou vistos de entrada a dois funcionários do governo americano que, segundo a nota, planejavam visitar o país "para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro".
O que os EUA exigem para devolver o visto
Os Estados Unidos condicionaram a devolução do visto de Viotti à aprovação, pelo Brasil, do nome de Daniel Perez como novo embaixador americano no país. Perez é deputado republicano da Flórida, indicado pelo presidente Donald Trump, próximo do secretário de Estado Marco Rubio e filho de imigrantes cubanos. Sua indicação já foi aprovada pelo Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA, mas ainda depende do plenário.
Por que o Brasil segura o aval a Daniel Perez
Trump anunciou publicamente a indicação de Perez em 1º de junho, e o pedido formal do aval diplomático (agrément) chegou a Brasília duas semanas depois. Segundo o Itamaraty e o Planalto, o rito tradicional — consulta reservada ao governo anfitrião antes do anúncio público — não foi seguido, o que gerou incômodo na diplomacia brasileira. O governo Lula diz fazer uma "análise criteriosa" do nome, sem prazo definido, e argumenta que "não há pressa", já que o governo Trump levou 18 meses para fazer a indicação. Os EUA estão sem embaixador em Brasília desde o fim do governo Biden.
A embaixadora no centro da crise, Maria Luiza Ribeiro Viotti, é mineira, nascida em Belo Horizonte, e a primeira mulher a ocupar o posto de embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, desde 2023. Antes, foi embaixadora do Brasil na Alemanha e representante permanente do país na ONU, onde presidiu o Conselho de Segurança em fevereiro de 2011.














