A produção de carne bovina do Brasil deve cair em 2026, com o abate recuando dos cerca de 42 milhões de cabeças de gado de 2025 para cerca de 40 milhões neste ano, projetou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) nesta quarta-feira (5), citando tarifas, barreiras comerciais e menor demanda externa.
"Enfrentamos questões geopolíticas, recessões, tarifas, cotas e salvaguardas impostas unilateralmente. Tudo isso cria ainda mais dificuldades para o setor produtivo", disse o presidente da Abiec, Roberto Perosa, durante evento em São Paulo, a participantes da Exposição Internacional de Proteína Animal. Em 2025, o rebanho bovino brasileiro foi estimado em 195,5 milhões de cabeças, o maior número de animais destinados à produção comercial do mundo, à frente dos Estados Unidos.
Por que a produção deve desacelerar
O setor deve lidar em 2026 com a desaceleração das compras da China, principal destino da carne bovina brasileira, após anos de forte crescimento, além de medidas protecionistas em outros mercados. Na Europa, que importou mais de US$ 1,04 bilhão em carne bovina brasileira em 2025, novas exigências de rastreabilidade aumentam a pressão sobre produtores e exportadores: a União Europeia passou a cobrar comprovação de que o animal não teve contato com determinados antimicrobianos durante toda a vida, e não apenas nos últimos 100 dias de engorda, como era o controle anterior pela chamada lista Trace. A mudança pode levar até dois anos para ser totalmente implementada pela indústria brasileira.
Diante do cenário mais desafiador, a estratégia das empresas do setor é diversificar mercados: ampliar vendas para países do Sudeste Asiático, fortalecer negócios no Oriente Médio e buscar novas oportunidades nas Américas.














