O Brasil registrou superávit comercial de US$ 7,1 bilhões em julho, alta de 1% em relação aos US$ 7 bilhões de julho de 2025, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta quinta-feira (6). As exportações para os Estados Unidos, porém, recuaram 5% na comparação anual, de US$ 3,8 bilhões para US$ 3,6 bilhões.
A queda nas vendas ao mercado americano ocorre depois que o governo de Donald Trump confirmou, em julho, uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, resultado de investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A sobretaxa entrou em vigor em 22 de julho, mas não atingiu mercadorias que já haviam deixado o Brasil rumo aos EUA antes dessa data.
O tarifaço já pesou no resultado?
Segundo o Mdic, ainda não é possível atribuir a queda das exportações à nova tarifa. "O que acontece normalmente é uma antecipação, se isso tivesse ocorrido, poderíamos até atribuir, mas, como o comércio está muito afetado por tarifas e instabilidade, é difícil fazer avaliação sem um estudo mais aprofundado", disse Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do ministério. Ele explicou que a tarifa de 25% só passou a valer plenamente em 29 de julho, e que "o movimento de julho ainda não sofreu esse impacto diretamente".
Os setores mais afetados pela retração nas vendas em julho foram aeronaves e outros equipamentos (queda de 62,1%), ferro-gusa (-31,4%), café não torrado (-27,6%) e sucos de frutas ou vegetais (-22,5%).
Como foi o comércio exterior no mês
No total, as exportações brasileiras somaram US$ 34,119 bilhões em julho, com alta de 6,2% pela média diária, enquanto as importações chegaram a US$ 27,052 bilhões, crescimento de 7,6%. Por destino, as vendas para a China subiram 8,6%, a US$ 10,6 bilhões; para a União Europeia, 3,9%, a US$ 4,7 bilhões; e para o Oriente Médio, 9,8%, a US$ 1,3 bilhão. Já as exportações ao Mercosul caíram 0,4%, a US$ 2,2 bilhões, e ao México, 4,4%, a US$ 768 milhões.
No acumulado de 2026 até julho, o superávit chega a US$ 49 bilhões, alta de 31,9% sobre os US$ 37,2 bilhões do mesmo período de 2025. As exportações somam US$ 218,6 bilhões (+10,5%) e as importações, US$ 169,5 bilhões (+5,5%).














