Agentes federais dos Estados Unidos buscaram documentos na casa da deputada democrata Ilhan Omar, de Minnesota, na madrugada desta segunda-feira (12), por suspeita de fraude na imigração dela. A operação ocorreu três semanas antes das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
O Departamento de Justiça (DOJ) confirmou que agentes da Investigação de Segurança Interna (HSI), ligada ao ICE, cumpriram mandado de busca autorizado pela Justiça. A suspeita envolve documentos de imigração preenchidos pelo pai de Omar, já falecido, quando ela ainda era criança.
O caso reacende um debate antigo nos Estados Unidos: a prática do DOJ é orientar promotores a não tomar medidas investigativas públicas contra parlamentares ou candidatos nos 60 dias antes de uma eleição.
O órgão diz que a operação contra Omar não violou essa regra porque não era destinada a se tornar pública.
Por que a investigação sobre Omar começou?
A apuração sobre Omar começou em janeiro de 2026, quando Trump anunciou que o Departamento de Justiça e o Congresso estavam "de olho" nela.
A acusação partiu de alegações sem provas públicas de que ela teria se casado com o próprio irmão para obter cidadania americana.
Em setembro, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, já havia dito que "alguma coisa ia acontecer" na apuração. "Se conseguirmos provar que você não deveria estar aqui desde o início, vamos deportá-la", afirmou, a um podcaster conservador.
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Omar, de 44 anos, busca o quinto mandato na Câmara dos EUA. Foi reeleita em 2024 com vantagem de 50 pontos percentuais em seu distrito, considerado um reduto democrata onde a disputa pela cadeira não está em risco.
O que dizem os dois lados?
"Há dez anos, Trump me persegue com mentiras infundadas e campanhas de difamação. Esta é apenas a mais recente escalada em sua campanha de intimidação política. Não serei silenciada", escreveu Omar, em rede social.
O líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, chamou a operação de "profundamente perturbadora". O governador de Minnesota, Tim Walz, foi direto: "O presidente Trump está abusando de seu poder para perseguir adversários políticos semanas antes de uma eleição".
Trump negou envolvimento direto: "Eu entendo que estão olhando para ela com muito cuidado", disse a repórteres, afirmando que a busca "não tem nada a ver comigo". O DOJ não detalhou publicamente as suspeitas nem apresentou provas contra a parlamentar.
O episódio ocorre em meio a uma onda de ações do governo ligadas à fiscalização eleitoral e migratória: o ICE revisa cerca de 100 milhões de registros de eleitores em busca de não cidadãos, às vésperas do mesmo pleito de novembro.
O ponto em aberto
O DOJ afirma que não violou sua própria orientação de 60 dias porque a operação não era destinada a se tornar pública. Mas o mandado foi cumprido na casa de uma parlamentar da oposição três semanas antes de uma eleição.
O caso se tornou público no mesmo dia da busca. Fica a pergunta sobre até que ponto a distinção entre ação pública e não pública sustenta uma regra pensada para blindar o processo eleitoral da interferência do próprio Departamento de Justiça.
O episódio chega em meio a divisões já visíveis dentro do próprio Partido Republicano em torno de Trump, na mesma semana em que o presidente descartou um ataque ao Irã antes das eleições de novembro.





























