A economia da Argentina cresceu 2% no segundo trimestre de 2026 ante o mesmo período do ano passado, informou nesta quinta-feira (17) o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O avanço superou a previsão de 1,6% dos analistas ouvidos pela Reuters.
Na comparação com o trimestre anterior, porém, o PIB recuou 0,6%, a primeira contração trimestral do ano.
Segundo o Indec, o crescimento anual foi puxado pela pesca, que avançou 44,7%, pela mineração e extração em pedreiras, incluindo hidrocarbonetos, com alta de 16,4%, e pela agropecuária, que subiu 6,9%. As exportações cresceram 13,7%, enquanto as importações caíram 8,6%.
A indústria manufatureira, porém, contraiu 2,1% na comparação anual, e a construção avançou apenas 0,2%. Os investimentos recuaram 11,1% ante o segundo trimestre de 2025, com quedas de 15,2% em máquinas e 22,1% em equipamentos de transporte.
Na comparação com o trimestre anterior, ajustada sazonalmente, o consumo privado recuou 2,4%, o consumo público caiu 2,3% e os investimentos diminuíram 0,8%. As exportações foram a exceção, com alta de 2,5%, enquanto as importações recuaram 3,5%.
Em publicação nas redes sociais, o ministro da Economia argentino, Luis Caputo, destacou que 13 dos 16 setores acompanhados pelo Indec avançaram na comparação anual. O indicador de tendência-ciclo, disse, cresceu 0,8% frente ao primeiro trimestre e bateu recorde.
Os números são acompanhados de perto como termômetro do ajuste fiscal do presidente Javier Milei, que reduziu a inflação argentina dos patamares de três dígitos registrados no início do governo.
O que muda para o Brasil
Para o Brasil, a recuperação argentina não significou mais compras do parceiro comercial. As exportações brasileiras à Argentina caíram 19,4% entre janeiro e junho de 2026, para US$ 7,35 bilhões, no rastro do ajuste fiscal que reduziu o consumo argentino.
O complexo automotivo, que responde por cerca de um terço do que o Brasil vende à Argentina, foi um dos mais afetados. Do lado argentino, o movimento é oposto, com as exportações ao Brasil subindo 6,9% em agosto, sexto mês seguido de alta.
No acumulado de janeiro a julho, o comércio bilateral ainda favorece o Brasil, com superávit de US$ 1,22 bilhão. A recuperação argentina ainda não devolveu ao Brasil o espaço que perdeu no mercado vizinho.
As exportações brasileiras somaram US$ 8,76 bilhões no período, contra US$ 7,55 bilhões em importações.
Em agosto, a recuperação econômica de Milei já dava sinais de perda de força, com o consumo interno pressionado pelo aperto fiscal. O novo dado de crescimento anual convive com a contração trimestral e com investimentos em queda.


























