A temporada de balanços dos quatro maiores bancos dos Estados Unidos começou neste mês com resultados mistos, em meio à incerteza sobre os juros americanos. Os juros do Tesouro dos EUA estão nos patamares mais altos em décadas, afirma o especialista Daniel Nogueira, da InvestSmart.

O movimento já pressiona a Selic e encarece o crédito no Brasil, efeito que aparece na curva de juros local e no mercado acionário.

As maiores instituições dos EUA divulgaram balanços do terceiro trimestre. O Goldman Sachs teve cerca de US$ 600 milhões em receita com a oferta inicial da SpaceX. O Morgan Stanley lucrou US$ 4,9 bilhões no período, segundo balanço enviado à Securities and Exchange Commission (SEC).

O resultado do Morgan Stanley é cerca de 6,5% maior que o mesmo trimestre de 2025.

Segundo Nogueira, o setor bancário rende menos que o S&P 500 neste ano. As ações de tecnologia e inteligência artificial avançam mais. A receita dos bancos vem principalmente das mesas de ações.

Os juros dos Treasuries estão indo para patamares tão elevados que nós não víamos há décadas.

A fala é de Nogueira, em entrevista ao CNN Money. Para ele, o CPI dos Estados Unidos é o dado mais aguardado até o fim do ano, porque orienta a decisão do Federal Reserve sobre os juros.

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O que muda no bolso do investidor brasileiro

Juros mais altos nos Estados Unidos encarecem o crédito no Brasil de várias formas. Elevam o retorno exigido em novos papéis do Tesouro Direto, pressionam a Selic e tornam mais caro o financiamento imobiliário e o crédito para empresas.

A Selic está fixada pelo Copom em 14,00% ao ano. O Tesouro Direto prefixado de dez anos chegou a pagar mais de 14,60% ao ano.

Quanto mais alto o juro americano, menos espaço o Banco Central tem para reduzir a Selic sem pressionar o câmbio. Títulos prefixados e atrelados à inflação sofrem o efeito da marcação a mercado quando as taxas de novos papéis sobem.

O efeito já afeta debêntures, CRIs e CRAs de infraestrutura.

O Ibovespa já recuou mais de 1% após o CPI dos EUA vir acima do esperado, em outubro.

Dias depois, o Fed indicou mais juros nos Estados Unidos, sem pressa, o que elevou o dólar no Brasil. Internamente, dirigentes do próprio Fed divergem sobre subir os juros ainda em 2026.

Nesta semana, os juros da dívida pública dos Estados Unidos bateram recorde histórico de US$ 1,05 trilhão, reforçando a leitura de Nogueira sobre o patamar inédito em décadas.

O que acontece agora

O mercado aguarda o próximo CPI dos Estados Unidos, apontado por Nogueira como o dado mais aguardado até o fim do ano. Ele deve orientar o ritmo de juros do Fed e o espaço do Banco Central para mexer na Selic.