Os principais candidatos ao governo de Minas Gerais apresentam propostas para explorar terras raras e minerais críticos do estado, mas divergem na estratégia. Kalil aposta no Labfab de ímãs, Simões mira o modelo do nióbio e Patrus quer criar um polo de industrialização do lítio.

O estado tem a segunda maior reserva mundial de terras raras, segundo o Estado de Minas. A disputa acontece a poucos dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

Propostas dos candidatos ao governo de MG para terras raras e minerais críticos — conferido em 26/09/2026
CandidatoPartidoProposta central
Alexandre KalilPDTCadeia industrial a partir do Labfab de ímãs em Lagoa Santa, com R$ 100 milhões em investimento
Cleitinho AzevedoRepublicanos"Mineração do Futuro": reaproveitamento de rejeitos e diversificação econômica dos municípios mineradores
Flávio RoscoePLInstituto de Terras Raras do Senai, com capacidade de 100 toneladas de ímãs até 2030
Gabriel AzevedoMDBPolítica estadual de minerais críticos, com foco em grafita, terras raras e lítio
Mateus SimõesPSDRepetir o modelo do nióbio, em que MG domina 90% do mercado mundial
Patrus AnaniasPTPolo Mineiro de Industrialização do Lítio no Vale do Jequitinhonha

As propostas mostram um raro consenso na campanha: nenhum dos seis defende manter Minas apenas como exportador de matéria-prima. A diferença está no ritmo e no instrumento, dos R$ 100 milhões de Kalil no Labfab aos projetos bilionários que Simões cita no Sul do estado.

Como está o mercado de nióbio em Minas?

Minas Gerais domina 90% do mercado mundial de nióbio, segundo Simões, que defende repetir esse modelo para as terras raras. No Sul do estado, os projetos da Viridis e da Meteoric somam mais de R$ 1 bilhão em investimento cada, segundo o candidato.

No Vale do Jequitinhonha, o lítio é a aposta de Patrus.

O petista propõe o Polo Mineiro de Industrialização do Lítio, com regras ambientais mais rígidas e consulta a comunidades tradicionais antes da exploração.

Cristais de lítio produzidos pela Sigma Lithium, mineradora que opera no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais
Cristais de lítio da Sigma Lithium, que opera no Vale do Jequitinhonha (MG). Foto de arquivo, sem relação direta com a fala dos candidatos. Foto: Sigma Lithium/Divulgação

O tema já passou pelo Senado: Aécio Neves, candidato à vaga mineira, prometeu lei para industrializar as terras raras do estado. O Brasil tem a segunda maior reserva mundial do minério, mas ainda exporta a matéria-prima bruta em vez de processá-la.

O que acontece agora?

O primeiro turno da eleição para governador de MG é dia 4 de outubro. Se nenhum candidato passar de metade dos votos válidos, o segundo turno acontece em 25 de outubro.