O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), afirmou que o antecessor Romeu Zema (Novo) deixou de divulgar os incentivos fiscais concedidos pelo estado a pedido de Flávio Roscoe (PL), então presidente da Fiemg. Hoje Roscoe é adversário de Simões na disputa pelo governo mineiro.
"Eu tinha anunciado que abriria os dados antes, mas o governador Romeu Zema resolveu não fazê-lo a pedido de Flávio Roscoe, que, como presidente da Fiemg, entendia que isso poderia prejudicar as indústrias de Minas Gerais", disse Simões em entrevista ao Metrópoles.
Segundo o governador, os dados só foram abertos em março de 2026, quando ele assumiu o Palácio Tiradentes com a saída de Zema para concorrer à Presidência. Simões credita à divulgação parte do afastamento que hoje o separa de Roscoe na campanha.
"Quando eu assumo, talvez esse seja até um dos motivos desse estremecimento meu com o Flávio, que acabou gerando a candidatura dele, resolvo divulgar. Eu acho que transparência é essencial para a gestão pública", afirmou Simões.
O governador afirma ter enviado à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) um projeto que permite ao próximo governador revogar regimes especiais considerados desnecessários. Ele diz que a legislação atual impede o Executivo de encerrar unilateralmente parte dos benefícios fiscais.
Simões rejeita, porém, uma retirada generalizada dos incentivos. Ele cita os polos farmacêutico de Montes Claros, logístico de Extrema e industrial do estado como exemplos que pretende manter.
Roscoe, por sua vez, promete revogar dezenas de normas estaduais nos primeiros 15 dias de governo, caso seja eleito.
Como fica a disputa pelo governo de MG?
A disputa pelo governo de Minas Gerais segue liderada por Cleitinho Azevedo (Republicanos), com 37% das intenções de voto na pesquisa Datafolha divulgada em setembro. Simões e Roscoe aparecem tecnicamente empatados, com 4% cada, atrás de Patrus Ananias (PT, 13%) e Alexandre Kalil (PDT, 11%).
O levantamento, contratado pela Folha da Manhã S/A e pela Globo Comunicação, ouviu 1.204 eleitores entre 22 e 24 de setembro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com 95% de confiança, sob o registro MG-07400/2026 no TSE.
A rivalidade entre os dois candidatos voltou à tona no debate da TV Alterosa, em 18 de setembro, quando Roscoe questionou indicações políticas no governo estadual. Simões rebateu.
"A Fiemg é uma das grandes fornecedoras de talentos para o governo", disse Simões, lembrando que a própria entidade, hoje licenciada por Roscoe para a candidatura, também indicou nomes para a administração estadual.
Não é a primeira vez que Simões mira adversários na reta final da campanha. Ele também questionou a falta de experiência administrativa de Cleitinho Azevedo, hoje líder isolado nas pesquisas.
Zema tem mantido distância da campanha de Simões na reta final da corrida. As renúncias fiscais concedidas por Minas Gerais podem chegar a R$ 26,3 bilhões em 2027, segundo estimativa oficial do estado.
O que acontece agora
Minas Gerais vai às urnas no primeiro turno em 4 de outubro. Um segundo turno, em 25 de outubro, só ocorre se nenhum candidato alcançar maioria dos votos válidos.
Simões, Roscoe e os demais concorrentes seguem a agenda de entrevistas e debates até a última semana de campanha.






























