Os 13 candidatos à Presidência da República divergem sobre como enfrentar o crime organizado na eleição marcada para 4 de outubro, segundo levantamento do g1 com os planos de governo de todos eles. O tema aparece entre os primeiros de quase todos os programas.

Os planos se dividem em três caminhos opostos. Um propõe o combate econômico às facções, outro defende endurecimento penal inspirado em El Salvador, e um terceiro quer desmilitarizar ou acabar com a Polícia Militar.

Como cada campo propõe enfrentar o crime organizado

Lula (PT) concentra sua proposta no combate econômico aos grupos criminosos, com barreiras contra a infiltração deles no poder público e a aprovação da PEC da Segurança, hoje travada no Senado até depois da eleição, que recria o Ministério da Segurança Pública.

Flávio Bolsonaro (PL) vai na direção oposta. Ele já apresentou o plano de abrir vagas prisionais em quatro anos, com 500 mil vagas em cinco presídios de segurança máxima batizados de “Treva”, sem celular nem visita íntima.

“Tem pouco preso no Brasil”, disse Flávio, ao apresentar o plano ao lado do ministro salvadorenho.

O custo estimado é de R$ 35 bilhões a R$ 40 bilhões em quatro anos. Cury (Avante), Caiado (PSD) e Zema (Novo) também querem classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, na linha já adotada pelo Escudo das Américas. Lula já rejeitou esse enquadramento.

Para Lula, o terrorismo no Brasil foi o 8 de Janeiro, não as facções.

No outro extremo, candidatos de esquerda como Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP) defendem a desmilitarização ou o fim da Polícia Militar.

Dias e Pimenta propõem, além disso, que a própria população se organize para a segurança, sem depender das forças públicas.

Propostas de segurança pública por candidato — planos de governo, g1, 24/09/2026
CandidatoPartidoProposta central
LulaPTCombate econômico às facções e PEC da Segurança
Flávio BolsonaroPL500 mil vagas prisionais e presídios “Treva”, modelo Bukele
Augusto CuryAvanteClassificar facções como organizações terroristas
Ronaldo CaiadoPSDClassificar facções como terroristas
Romeu ZemaNovoClassificar facções como terroristas
Renan SantosMissãoModelo Bukele explícito
Edmilson CostaPCBFim ou desmilitarização da PM
Hertz DiasPSTUFim da PM; população se organiza
Rui Costa PimentaPCOFim da PM; população se organiza
Samara MartinsUPDesmilitarização da PM

Segurança e violência lideram as preocupações do eleitor em pesquisas de opinião, à frente de corrupção e economia, segundo o g1. É por isso que o tema abre a maioria dos planos de governo, da esquerda à extrema direita.

Comparamos os planos de Lula e Flávio, os dois favoritos, no início do mês.

O que acontece agora

A eleição para presidente acontece em 4 de outubro. Um eventual segundo turno seria necessário caso nenhum dos 13 candidatos alcance maioria absoluta dos votos válidos já no primeiro turno.

Qualquer que seja o resultado, o Congresso eleito na mesma data decide o destino da PEC da Segurança, hoje parada no Senado até depois do pleito. A pergunta que fica é qual dos três modelos vai prevalecer no Congresso eleito junto com o próximo presidente.