A três semanas do primeiro turno, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram a campanha no Sudeste e no Nordeste, as regiões com mais eleitores do país. As duas bases regionais que definiam a corrida até pouco tempo atrás estão mudando de cara.

No Bastidores CNN desta quarta (23), o âncora Gustavo Uribe apontou que Lula segue à frente no Nordeste, mas com uma queda de 10 pontos percentuais na diferença sobre Flávio desde a pesquisa anterior do mesmo instituto.

Lula está melhor no Sudeste do que estava a essa altura do campeonato contra Jair Bolsonaro, mas está pior no Nordeste

Resumiu Uribe. No Sudeste, Flávio segue favorito, mas Lula reduziu a diferença nos últimos levantamentos.

No Rio de Janeiro, reduto eleitoral da família Bolsonaro, a última pesquisa AtlasIntel já mostra empate técnico entre os dois candidatos no 2º turno.

O outro empate: a disputa nacional

Uma pesquisa American Analytics/Times Brasil, divulgada nesta quarta, mostra Lula e Flávio empatados em 43% cada num eventual 2º turno nacional. No 1º turno, Lula tem 38% contra 34% de Flávio.

O levantamento ouviu 2.000 pessoas entre 15 e 20 de setembro, com margem de erro de 2,5 pontos e registro no TSE sob o número BR-032587/26.

A mesma pesquisa mostra a gestão de Lula desaprovada por 51% dos entrevistados, contra 45% de aprovação, um desempenho abaixo da intenção de voto do presidente candidato à reeleição.

Os dois candidatos também voltam a Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, nesta reta final. Uma pesquisa Datafolha de 14 de setembro mostra os dois tecnicamente empatados no estado: 37% a 35% no 1º turno, e 46% a 45% no 2º.

Em Minas, Flávio conta com o apoio do deputado Nikolas Ferreira, que também disputa a reeleição no estado. Lula deve voltar a Belo Horizonte em 2 de outubro, ao lado do candidato ao governo mineiro, Patrus Ananias (PT).

A disputa regional que hoje divide o eleitorado também tem um componente religioso. Segundo Uribe, evangélicos pendem mais para Flávio, e católicos, mais para Lula.

O que acontece agora

Lula tem viagens previstas a Alagoas, Pernambuco, Bahia e Ceará, além de dois compromissos em São Paulo. Flávio deve concentrar a última semana antes do 1º turno em cidades de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A tensão entre os dois já rendeu embates fora do território eleitoral. Um discurso de Lula na ONU virou alvo de um pedido de Flávio ao TSE.

Outro candidato já cobrou a ausência dos dois em debates presidenciais.

O ponto em aberto

A pesquisa American Analytics e o painel de institutos citado pela CNN convergem num ponto. A distância que separava Lula e Flávio por região vem encolhendo dos dois lados ao mesmo tempo.

A pergunta que a reta final ainda não responde é se essa aproximação regional se mantém até o dia da votação, ou se é um movimento passageiro de duas campanhas que ainda estão redistribuindo a agenda pelo país.