O PL elegeu 121 deputados federais no primeiro turno de domingo (4), a maior bancada de um único partido na Câmara dos Deputados desde a Constituição de 1988, superando o recorde do MDB, que havia eleito 108 deputados em 1990, há 36 anos.
A sigla ampliou em 22 cadeiras sua bancada de 2022, quando havia eleito 99 deputados, alta de 22,2%. Com isso, o PL passa a ocupar 23,6% das 513 cadeiras da Câmara a partir de 2027, segundo o g1.
Os dois deputados federais mais votados do país são do PL: Nikolas Ferreira, em Minas Gerais, com 3.119.318 votos, e Lucas Pavanato, em São Paulo, com 3.038.438. Os dois garantiram 40 das 121 cadeiras do partido.

121 cadeiras bastam para o PL mandar na Câmara?
Não sozinho. Uma lei ordinária exige maioria simples entre os presentes, com quórum mínimo de 257 deputados, segundo a Câmara. Uma PEC (emenda constitucional) precisa de 308 votos, em dois turnos.
Os 121 deputados do PL equivalem a 47,1% dos votos da maioria absoluta e a 39,3% dos necessários para uma PEC. A bancada é a maior, mas sozinha não decide nada na Câmara — o PL vira peça indispensável de qualquer base, não dono dela.
Enquanto o PL cresceu, o bloco do Centrão perdeu força relativa: a federação União Brasil e PP caiu de 106 para 86 deputados, queda de quase 19%.
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O PT cresceu pouco, de 68 para 70 deputados, num Congresso onde o apoio ao Planalto já vinha caindo.
Já existia bancada deste tamanho antes. O que aconteceu com ela?
O precedente histórico é um alerta para quem lê o resultado como vitória garantida. O MDB, dono da maior bancada até agora, não conseguiu governar após a eleição de 1990.
Fernando Collor venceu a Presidência por um partido pequeno, o PRN, que tinha apenas 6% da Câmara, e montou base própria à direita do MDB. A sigla ficou formalmente na oposição, segundo o Atlas FGV.
Parte da explicação está na troca de legenda: desde 1982, em média 30% dos deputados mudam de partido ao longo de cada legislatura, segundo estudo publicado na revista acadêmica Dados. Na legislatura seguinte à eleição do MDB de 1990, houve 165 trocas de partido.
O fenômeno segue atual. Na última janela em que parlamentares podem trocar de legenda sem perder o mandato, 135 deputados mudaram de partido, recorde que superou os 85 de 2018 e os 121 de 2022, segundo o Congresso em Foco.
O ponto em aberto
O resultado de domingo define o tamanho da bancada, mas não a base de apoio a quem for eleito presidente no 2º turno, disputado entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O Centrão vem se reposicionando desde antes do resultado das urnas, e o Senado também muda de perfil a partir de 2027.
Fica a pergunta que o histórico de 1990 deixa: o tamanho da bancada se traduz em governo, ou vira moeda de troca fatiada entre dezenas de siglas, como já ocorreu antes?





























