A mineradora Brazilian Critical Minerals (BCM) fechou nesta segunda-feira (5) a compra de 90% de uma fábrica de sulfato de magnésio em Feira de Santana (BA) por R$ 1. O insumo vai abastecer o projeto Ema, de terras raras no Amazonas.

Pelo acordo, a BCM assume o controle da Sais Nordeste Indústria e Comércio pela subsidiária brasileira Mineração BBX do Brasil. O valor de R$ 1 é nominal.

A empresa também herda passivos tributários estimados em R$ 15,3 milhões, a serem renegociados em até dez anos. Os 10% restantes da fábrica ficam com o sócio anterior.

A planta está com as operações suspensas desde fevereiro de 2026. Segundo a BCM, a capacidade inicial deve suprir cerca de 50% da necessidade de sulfato de magnésio do projeto Ema, patamar que pode superar 100% da demanda com modificações na unidade.

O sulfato de magnésio é o principal reagente do processo de recuperação do Ema, que extrai terras raras de argilas de adsorção iônica por lixiviação. O material resultante vira carbonato misto de terras raras, intermediário usado na etapa de separação e refino.

É um insumo crítico para o projeto.

Por que a China pesa tanto nas terras raras?

A China concentrava, em 2025, cerca de 60% da mineração mundial de terras raras magnéticas e 85% do refino, segundo relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) citado pela CNN Brasil. Desde 2023, o país triplicou os códigos tarifários sujeitos a controle de exportação.

Ao longo de 2026, os controles chineses passaram a atingir também equipamentos, consumíveis e capacidades técnicas usadas em novos projetos do setor, segundo a BCM.

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Em outubro, a China chegou a anunciar uma nova rodada de restrições à exportação de equipamentos de separação, refino e sinterização. O Ministério do Comércio (Mofcom) suspendeu a aplicação das regras até 10 de novembro, como parte de um acordo com os Estados Unidos.

Mesmo com a trégua chinesa, a BCM seguiu adiante com a compra para reduzir a exposição do projeto Ema às cadeias de fornecimento da China.

A integração vai além do sulfato de magnésio. O ácido sulfúrico vem do complexo industrial da Unigel, em Camaçari (BA), a 80 km da fábrica.

O óxido de magnésio, outro insumo do processo, é fornecido por produtores da região de Brumado (BA), a 560 km de distância.

A fábrica baiana entra numa corrida que já levou à compra de um projeto de terras raras em Minas Gerais pela Lynas por R$ 3,5 bilhões e turbinou a disputa global por depósitos no Sul de Minas.

Em setembro, Lula sancionou a lei de R$ 7 bilhões para minerais críticos, que inclui as terras raras entre os insumos estratégicos do país.

A IEA cita o Brasil entre os países capazes de expandir a produção de terras raras fora da China, com depósitos em argila de adsorção iônica que exigem menos britagem e moagem que a mineração em rocha dura.

O que acontece agora

A BCM vai financiar e supervisionar a reestruturação financeira e operacional da Sais Nordeste, incluindo a renegociação dos R$ 15,3 milhões em passivos ao longo de até dez anos.

A empresa não informou data para o religamento da fábrica nem para o início da produção que vai abastecer o projeto Ema.