O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia nomear o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ministro da Fazenda em um eventual novo mandato, segundo a Reuters. A proposta, ainda em discussão, tenta reforçar a credibilidade fiscal e atrair eleitores de centro para o 2º turno.

Pela proposta, Alckmin seguiria vice-presidente e também assumiria a Fazenda em 2027, consolidando autoridade sobre a política econômica. Segundo as fontes, ouvidas sob anonimato, o arranjo lhe daria força por ser visto como alguém que não seria demitido do posto.

O Palácio do Planalto não respondeu a pedido de comentário das agências.

Ninguém neste país tem autoridade moral para falar de política fiscal e seriedade fiscal pra mim e para o Alckmin, pelo que ele fez no Estado de São Paulo e pelo que nós fizemos no Brasil, disse Lula, em discurso no domingo (4), após o resultado do 1º turno.

Alckmin, político veterano de centro, disputou a Presidência contra Lula em 2006 e governou São Paulo quatro vezes. Depois, comandou o MDIC e virou interlocutor com Washington após as tarifas que os EUA impuseram ao Brasil.

Em 2022, Lula já havia cogitado Alckmin para a Fazenda, mas escolheu o petista Fernando Haddad, que ocupa o cargo desde então, depois de vencer o 1º e o 2º turno daquela eleição.

O que está em jogo para o governo?

A escolha reflete a pressão fiscal do atual mandato: segundo o Banco Central, a dívida bruta do país já soma mais de 82% do PIB, um dos pontos mais explorados pelos adversários de Lula na campanha.

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Colocar Alckmin simultaneamente no comando da Fazenda e da Vice-Presidência sinalizaria ao mercado que a política econômica não mudaria com uma eventual reforma ministerial.

O resultado do 1º turno já havia provocado forte alta nos mercados nesta segunda-feira (5): o Ibovespa bateu recorde histórico, aos 209,6 mil pontos, alta de 8,85%, e o dólar caiu para R$ 4,98, queda de 4,33% no dia.

O que acontece agora

A proposta sobre Alckmin ainda está em discussão dentro do governo e pode mudar até o 2º turno, marcado para 25 de outubro. Lula enfrenta Flávio Bolsonaro, que terminou à frente no 1º turno em um resultado que contrariou a maioria das pesquisas.